Terça-feira, 4 de Agosto de 2015

A Diáspora

01-08-15

Fez este ano quarenta anos que me vi obrigado a deixar Angola. Infelizmente, isso me trouxe após vinte e três anos de permanência, todo o tipo de incompreensões. Há uma coisa que me faz quase chorar! É em Agosto quando da chegada a Portugal de milhares de trabalhadores da Diáspora, a maneira como são recebidos com grande deferência o que, está na linha do povo português prestando-lhe essas homenagens com grande deferência. O paradoxo impõe-se em oposição com a receção que foi prestada aos trabalhadores da mesma Diáspora só que aqueles por virem de um império em queda foram estigmatizados. E até hoje nunca foram reabilitados, nem ressarcidos. Falando por mim: porque me fizeste isto meu Portugal Nos primeiros tempos durante o PREC foi a animosidade dos concidadãos, em simultâneo a boicotagem da entrada nos empregos de quem vinha chegando! Dois me surripiaram no ramo cervejeiro. Quando cheguei diz-me a funcionária que me recenseou? O senhor já escolheu Hotel? Hotel! Tenho dois filhos pequeninos e a senhora fala-me em Hotel está a gozar com a minha cara ou quê. Paguem-me um bilhete para sair daqui pois se tenho que enfrentar o touro da vida que seja já amanhã. E pagaram mesmo! Mas a partir daqui fiquei só, enfrentando a vida tenazmente e, na clandestinidade. E passaram quarenta anos! Vivo desde esse tempo num misto de liberdade e escravidão
Conheci todos os governos de Portugal pós Democracia e por incrível que pareça nenhum tentou sequer resolver problema de tal magnitude. Mas aqui: refiro-me evidentemente aos trabalhadores da Diáspora do Império, já que os funcionários públicos já cá chegavam com o papel da reforma! Nenhum se queixou. O mesmo país situações idênticas! Soluções diferentes! Eu cheguei com dois filhos de tenra idade fui de imediato jogado para o esgoto da História, duas irmãs casadas com um funcionários públicos de média escala dizia-me uma delas? Claudino tenho muita pena de ti; mas para a tua irmã, abençoada descolonização! Olha irmão! O Abílio ganha mais que lá, resido na capital e deixei de andar com a barraca às costas como os ciganos, Ele era sondador de águas da Geologia e Minas: a tua irmã agora é uma senhora! É curioso que agora a única coisa que reivindico a Portugal é que me ajude a repor esse bem em Portugal. É por isto que hei-de reivindicar sempre a casa que deixei num dos bairros pobres de Luanda. E se Deus existe Portugal bem precisa da ajuda dele para repor essa legalidade que lhes foi surripiada.

 

publicado por A Conspiração às 23:33
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