Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Aos coices e "2"

 

D:\As minhas imagens\2008_0822ParatiAlvaro

 

Outro privilégio dele; nos dias de trabalho minha mãe mandava-lhe meio litro de leite quentinho com pão as chamadas sopas de leite. Muitas vezes calhava-me a mim levar-lhas porque a concorrência era feroz, alem disso em criança fascinava-me o labor de todo o sistema de extracção da matéria- prima para  o cimento, apreciava ver o labor de todo o complexo, Quando chegava á boca da pedreira, parava! E começava a descer os cerca de cento e trinta degraus escavados na própria barreira, muito devagar, para dar tempo ao Álvaro de me ver e vir ao meu encontro. Chegado ao fundo sentava-me, e aguardava-o, enquanto isso, me-fascinava com o vai e vem das vagonetas cheias de pedra a serem puchadas para o alto para os cabos aéreos a cerca de cem metros acima, e transportadas “por um complexo mecanismo de difícil discrição mas sem duvida alta tecnologia para a época” para os depósito de retém

 


 

  • Eis os depósitos de retém mencionados, Eu, descia por uns degraus incrustadas na  propria barreira por detrás do arbusto maior lá á frente, em primeiro plano que,  progrediam, lentamente até lá bem ao fundo. Naquela época, não existia a água que agora se vê, pois a mesma era todos os dias bombada para as hortas dos operários.
  •  

e daí para a fábrica a cerca de quinhentos metros mais além. As vagonetas, cheias de pedras descarregadas dos depósitos, deslizavam agora silenciosas rumo á trituração.

Pareciam formiguinhas frenéticas no seu labor diário, e tal como elas, umas iam outras vinham, as que iam, iam cheias de pedras as que vinham, vinham vazias os cabos corriam paralelos a cerca de metro e meio um do outro, as vagonas circulavam conduzidas por eles, á cadência de cinquenta em cinquenta metros. Logo que o Alvaro se chegava a mim, sentava-se numa pedra que, para ele estava reservada e dizia a fraze habitual, por mim já conhecida, então rapaz; e eu lhe demandava pela sua benção, ele me estendia a mão e eu lhe dava um beijo nas costas da mesma. Comia as sopas e com isso, repunha energias para a violencia do trabalho que executava. Por fim, me bridava com duas ou três sopas de leite por mim já esperadas por ser habitual nele este gesto. A segunda guerra acabara naquele lindo mês de Maio, é difícil descrever,o efeito que teve nas pessoas, a alegria jorrou! E, do que me lembro; a felicidade terrena campeava. 

Bandeiras e lençóis brancos apareceram nas janelas. Foram lançados por toda a Europa milhares de pombos brancos. e durante todo o dia fanfarras e foguetório foram ouvidos em profusão. Agouravam-se brilhantes tempos no futuro próximo.E eles apareceram na forma da

reconstrução, e ela iria durar por muitos anos. 
 É certo que iria ainda levar muitos anos até serem visíveis os efeitos dessa reconstrução inevitável. Nessa época iniciara-me no mundo do trabalho. A princípio a medo e tímido. Mas logo afoitamente assim que vi meu primeiro salário, eram quarenta escudos por semana, que logo eram dados a minha mãe que de imediato me dava uma espécie de mesada. O emprego foi numa tipografia o trabalho consistia no seguinte: A máquina impressora cagava impressos a um bom ritmo e eu tinha logo a seguir que ordená-los uma folha azul uma amarela uma branca e assim sucessivamente. O papel passava por uma máquina que as picotava, a seguir eram agrupadas, pregadas, guilhotinadas e por fim colada uma capa de papel tipo pardo e eis os livros de facturas feitos. Andei nesta rotina um tempo vasto. Um dia sem se saber muito bem porquê, a tipografia foi de surpresa visitada pela célebre Policia Internacional e Defesa do Estado; Todos nós que lá trabalhávamos ficamos apreensivos. Impressos subversivos apareciam aqui e ali, logo as suspeitas caiam inteirinhas nas tipografias da zona. E um dia sem que ninguém contasse, apareceram novamente. A tipografia foi selada para ulterior parecer de uma entidade que, nunca deu parecer nenhum e pura e simplesmente a tipografia nunca mais reabriu. Possivelmente nem nunca lá foram impressos panfletos nenhuns. E lá se foi o meu emprego, e de todos os que lá trabalhavam incluindo a Céu, empregada da papelaria. Eu trabalhava na tipografia e papelaria ela só na papelaria, que pena que eu tive pois muitas vezes deixava ver uma, ligeiríssima mas, belíssima nesga das suas rendinhas. Ficou-me deste emprego, o gosto pelo cheiro do papel novo! Kokil oito era o que mais se lá gastava, e vê tu Álvaro! Surgiu-me a ambição de querer ser empregado de escritório! Desculpa-me pai, pela fraqueza por ter desejado tal, mas estava no verdume da idade e a realidade naquelas idades, é ainda indiscernível! Hei! Espera lá meu filho! Mas na escola, qualquer aluno podia requerer o exame de admissão aos liceus! É verdade meu pai, mas no formulário, ou requerimento, ou lá o que era, também pediam o nome do pai e da mãe. Nada de mal a registar, o mal surgia quando pediam a tua profissão, era aí que, tudo ficava decidido. Como não ia antecedido de nenhum brasonado, com o qual se distinguiam as castas, dali não passava, e soubera-o eu mais cedo, nem valia a pena passar pela humilhação. É precisamente por esse facto que, nas sociedades modernas se vêem tantos burros, idiotas, e imbecis mas com canudo. Voltara ao novo ano escolar e nas férias seguintes lá estava incluído numa turma de infantes na execução de tarefas de limpeza do cascão de cimento que se juntava sobre os telhados das instalações fabris “uma tarefa algo perigosa” era a mesma executada a uma altura de cerca de sessenta metros mesmo por cima do forno rotativo, um e dois. Os perigos das alturas eram facilmente anulados pelo aventureirismo das idades em jogo, doze, treze anos
em média. Os  

 trabalhos que executávamos, eram nem mais nem menos que soltar com picadeiras e raspadeiras o dito cascão que, se formava sobre as telhas que, a não ser retirado, levaria inevitavelmente ao colapso total da cobertura. Mas a grande vantagem do uso de crianças neste e noutros trabalhos do mesmo tipo era a sua intrepidez, e o seu baixo teor de massa corporal e ainda a sua agilidade em locais onde a agilidade se mostrou tão necessária. Como desvantagens apenas digo que, estes trabalhos eram normalmente feitos no período das chuvas ,pois o material a decapar se mostrava mais favorável a soltar-se devido á humidade acumulada, o que para nós pressupunha trabalhar sob o efeito da onda de calor oriunda de baixo e que, se evolava até ao telhado pondo-nos a trabalhar sob o efeito de choque térmico com a temperatura ambiental. Apesar dos perigos, e de todas as contrariedades expressas. Ganhávamos muito bem! E mal este trabalho ficou executado, e já que trabalhávamos com picadeiras e raspadeiras outro se lhe seguiu, de idêntico teor.

Os cabos aéreos, sistema maravilhoso e intricado qual, brinquedo não para crianças mas para os adultos. Eram quatro as torres, duas fixas juntas aos depósitos de retém da matéria-prima oriunda lá bem do fundo da exploração. E duas móveis do lado oposto aí a uns quatrocentos metro de distancia atravessando o vazio em baixo formado pela extracção da pedra e que levava já cerca de vinte e três anos. Era um trabalho fabuloso e bem pago qual trapezista izibindo-se frente ao seu publico. Estávamos executando os trabalhos preliminares. Primeiro prendíamos no ponto mais alto da torre um cadernal com várias rodas que desmultiplicava o peso da peça a elevar para um décimo, do seu peso real. A corda que o cadernal movia caía a pique de penderão até ao chão, a equipa se partia em duas. Eu e o Júlio ficávamos em cima, o Eurico, de alcunha Eurico o presbítero, o Zé Lucas e Teixeirinha ficavam em baixo. As primeiras peças a elevarem-se eram dois ferros em forma de esse bastante alongado em que um dos lados era preso em lugar estratégico seguiam-se lhe mais outros dois que, seguiam o posicionamento de forma a formar o esqueleto daquilo que viria a ser depois de pronto a plataforma onde desenvolveríamos o nosso trabalho, seguiam-se-lhe os barrotes e por fim as tábuas. Dali já conseguíamos chegar ao ponto mais alto torre e o frenesim começou. A picagem da ferrugem era ensurdecedora seguia-se-lhe a raspagem logo como acabamento era tudo escovado com escova de aço. Por fim levava uma camada de zircão e no dia seguinte uma segunda camada. Que bonitas que elas ficavam! Este trabalho era muito perigoso pois o sistema estava em pleno funcionamento, e o mais pequeno descuido podia-se ficar decepado pois os cabos em movimento nas roldanas,  não nos
perdoariam tal. Os plateux, iam sendo desmontados e montados mais abaixo, até chegar ao fundo. Que bonitas que elas ficavam, refulgindo de novas. Quando passávamos para as do lado oposto, o trabalho era quase uma brincadeira. Cada grupo de duas torres, formava um grupo independente do outro, e cada grupo tinha o seu depósito onde, a vagona que do fundo, elevava cerca de uma tonelada de pedra, chegada que era ao seu depósito, o cabo que a abria começava a enrolar e ela se inclinava a cerca de quarenta e cinco graus, dando origem a que, com o deslizamento a comporta se abrisse e num ápice a tonelada de pedra que transportava, se precipitasse em queda livre para o fundo do depósito. Nós que no lado oposto nos encontrávamos encarrapitados, qual macaco no seu galho, aguardávamos com bastante emoção, o efeito por nós esperado. Logo que a vagona se via livre de tal quantidade de pedra todo o conjunto se elevava de repente, dando origem na torre de lado oposto a efeito contrário àquele, isto é: a torre descia abruptamente cerca de dois metros, ficando a baloiçar cerca de quinze segundos num vai e vem delirante. E estou a falar de milhares de toneladas de ferro. Este equilíbrio era um milagre da inteligência do ser humano no seu conjunto, este equilíbrio era conseguido porque, o cabo principal com quarenta milímetros de espessura funcionando como carril da vagona, atravessava toda a pedreira a uma altura do fundo de cem metros e passava por uma roldana bem forte, colocada no ponto mais acima da torre e caía a pique, embebendo-se num bloco de betão de algumas duzentas toneladas, ficando em suspensão a cerca de três metros do chão qual pendulo gigante suspendendo todo o conjunto. A torre de perfil apresentava uma inclinação bastante acentuada, o curioso desta situação era que, estas torres ao contrário das suas parceiras do lado oposto, não estavam fixas ao chão mas apoiadas soltas em cima de dois carris côncavos, estes sim fixados por betão ao chão. Eram um prodígio de leveza, e só se tinha noção das forças em presença quando os cabos libertos instantaneamente chispavam ruidosamente entre si.


 

 

Estes trabalhos, eram executados por adolescentes em férias escolares. E logo que prontos, por outros teríamos que esperar. A administração da escola e da empresa era a mesma, o mesmo é dizer que, tudo se sincronizava com essas duas necessidades. Quando não havia empreitadas, tínhamos que nos desenrascar por outras vias. Eu, que era expedito, não me atrapalhava muito pois, quando isso sucedia, tomava as minhas medidas. Por isso daquela vez que o trabalho falhou, logo no dia seguinte, pus-me de plantão na oficina de bicicletas lá da zona. Mesmo na ombreira da porta e sempre que, o António por mim passava, disparava? Senhor António, não quer que eu venha para aqui remendar furos. Tanto o chateei que, um dia disse-me dou-te trinta escudos por semana para remendares os furos aqui na minha oficina, será esse o teu trabalho, aceitei! E no dia seguinte, lá estava alegre com a lixa e cola a tapar os buracos nas câmaras-de-ar das ditas. Mas, para mal dos meus pecados, no dia em que comecei os furos não deram nem para um dia de trabalho. Por isso á noite dei comigo a matutar. E a estratégia que remoia, não demorou muito a fazer-se luz. A técnica, resumia-se pura e simplesmente, a técnica nenhuma, era só pôr em prática o evidente, e com uma imaginação fértil na época foi fácil.Aquela fábrica tinha dois ciclos de horários, ás quatro e ás cinco da tarde, nem queiras saber o número de bicicletas que descarregava para o exterior, eram ás centenas, não, não me enganei quando disse centenas. Era com esse meio de transporte que os operários se deslocavam da e para a fabrica; ora naquele tempo o calçado dos operários eram botas cardadas anti desgaste, as cardas para quem não sabe eram uns pequenos pregos bem curtos mas com uma cabeça algo grande, era essa zona que protegia o calçado do desgaste. E que, para meu proveito, ficavam sempre em pé, tal e qual como aquele boneco que era hábito darem aos miudos , que quando caía ao chão logo se posicionava de pé. Era pois, essa particularidade que mais me fascinava. Só tive que longe da terra ir a uma casa de ferragens e comprar um quilo de cardas. A ideia era; semear sem que alguem desse por ela , e em profusão o maior numero delas por metro quadrado, eles teriam que acertar com a roda em cima delas. Seria inevitável. Conheces por acaso a canção que os agricultores cantam quando semeiam na terra que é deles? Não! Então escuta! Deito a semente á terra_ Á terra que me dá o pão_ Á terra por mim lavrada_ Terra do meu coração. Mas existe esta mesma canção para os que semeiam a terra que não é deles com outra versão. Escuta! Põe-te sol, põe-te sol_ Para lá daquela montanha_ Mas que alegria a nossa_ Que tristeza a do patrão. Sabes, naquele tempo trabalhava-se de sol a sol. Mas eu ao semear as cardas tinha também a minha versão. Deito as cardas á terra_ Que por cima delas terás que passar_ Aos furos por elas causados_ P´ra alegria do meu ganha-pão.

 

 

 




 

O que vou narrar agora inscreve-se na área do privado, e me foi muito doloroso. Ainda hoje, me prespaça uma tristeza pelo simples deambular por essa recordação-memória. O Álvaro, assim como o seu oitavo filho, aqui; refiro-me a mim mesmo! Não mereciam semelhante declinação do destino. Ele toda a sua vida até esta data, tinha sido um escravo da era moderna, eu; como ele, estava aprendendo a saber "de que noite é feita a luz do dia". Agora que, as suas primeira filhas já tinham idade e até já o ajudavam a aliviar as freimas do seu dia a dia. Uma delas, a Isaura, ou seja a sua quinta filha, era governanta de uma família já bem instalada na vida, sim, porque naquele tempo ser tesoureiro duma grande empresa, era um alto posto e muito bem remunerado. Foi pois no seio dessa família que, o drama do Álvaro teve a sua génese e se adensou. Tinha ele o tal tesoureiro, um filho de vinte e seis anos, tuberculoso, e capricho do destino! Sendo a tuberculose, uma doença dos meios miseráveis e da fome, era quase um sacrilégio atingir assim um membro de uma família que vivia na abastança. Todavia foi daí que ela imergiu na numerosa família Soares. Era ele alimentado com os melhores bifinhos, os leites mais gordos e as melhores manteiguinhas, a tudo se negava, era uma característica da tuberculose, que se obstinava em arrastar o corpo para a cova. E o que ele recusava era precisamente o que á Isaura sempre faltara, daí a forte tentação para consumir os produtos recusados, daí até ser contagiada foi um ápice. E um ápice até contagiar cinquenta por cento da família Soares, eu dos mais novos, incluído. Era uma doença da qual a populaça furtivamente se arredava, tal como na idade média os leprosos tinham que usar uma campainha para avisar as pessoas de que eram portadores do horrível mal, também agora toda a sociedade, ficava rapidamente conhecedora dos portadores do bacilo de Kock e instintivamente se afastavam. Conheci muito bem o efeito, pois efectivamente aconteceu-me a mim, fugiam como o demónio foge da cruz. A Esmeraldina; foi a primeira que morreu, morreu seca de carnes, das irmãs a sexta! E uma das mais bonitas, seguiu-se-lhe a Rosa, a galopante tomara conta delas. A Isaura, a doença minara-lhe o pulmão abrindo-lhe tremendas  cavernas; foi-lhe dissecado o pulmão direito, um dos irmãos ficou com grandes sequelas, eu o oitavo filho a doença manifestara-se com uma febrícula que se instalava sorrateiramente aos fins da tarde, e lá está, mesmo não havendo muito que comer, instalava-se um fastio de morrer. Um dia o médico chama meu pai e diz-lhe? Sr. Álvaro, o seu filho está infectado, muito infectado repisou ele; mas temos agora a nossa disposição um novo medicamento que, sendo muito caro, preciso pois que siga o que lhe vou dizer, e deu-lhe uma série de instruções, uma delas soube-o depois era que me amarrasse as mãos atrás das costas, intrigou-me durante muitos anos, como conseguiu ele saber que eu me masturbava frequentemente; não gosto do termo! E vou repeti-lo, á minha maneira! Como conseguiu ele saber que eu batia á punheta, aí está em português vernáculo o termo exacto. O Álvaro me repreendeu fortemente á sua maneira, e ela consistia em? Primeiro chamava-me e dizia o porquê, depois, olhava para mim e fixava-me com a cara ligeiramente de lado em relação a mim e mantinha aquela fixação visual por tempo indeterminado. Quando ele procedia assim havia merdelim por perto, era atroz suportar aquele olhar dele, o pior estava para vir pois passados longos-segundos que pareciam uma eternidade, começava a abanar a cabeça para cima e para baixo lentamente e também longamente. O assunto tanto  podia morrer por ali, ou chovia de imediato umas correadas. Mas o Alvaro era um homem bom! Perdoou-me devido á doença que me minava. A estreptomicina era-me administrada uma vez por dia. O Remifon, o calcio, em doses generosas, Fora-me atribuido não sei por quem, um xis de carne e ovos  por dia. Na clandestinidade e de origem popular tomava uma gota de petróleo branco refinado, intercalado com a mesma dose de cristais de iodo dissolvida em alcool. era preciso muita atenção pois não se poderia ultrapassar as vinte gotas. Vivi enclausurado uma série de meses. è por isso que eu conheci tão bem o perfil da Serra de Aire, para lá dele só trinta anos depois. Através do vidro, via  as garotas a lavar a roupa no ribeiro ali perto. Divisava  a Erassema, ela me fazia gestos, quando isso acontecia vinha-me á ideia as suas mamas sedosas e rijas, e lá ia esgalhar a banana. era um cuadjuvante ao tramento que fazia, só podia ser, dada a sensação energética que despoletava. Durante um ano sofri radiações RX directamente via radioscopia. Não sei !  Mas acho que deixou sequelas para toda a vida. Sobre aquele paríodo negro ainda hoje, me lembro das alucinações que o complexo tratamento me causava, acordava de noite suado e com visões, sonora e visuais, Mas felizmente o meu corpo estava vencendo o cabrão do bacilo de kock. Logo que me vi com autorização, para fazer uma vida normal, tornei-me um devassozinho. Tive a primeira relação sexual se assim se poderá chamar. Um dia, fui á cidade e logo aproveitei para ir às putas. Era o tempo dos desquentamentos, cavalos moles e mulas era assim que se chamavam os principais, males venéreos, deixei de parte o mais terrífico o que metia mais medo, a Sifiles, arrisquei muito. Mas a mulher que me calhou, podia ser a minha avó e esse facto, lhe pôs o factor moral de me proteger, tinha desasseis anos e a sifiles era de facto uma grande tragedia. E começou; assim que me viu a subir a calçada que, a elas me levava, falou languidamente, anda cá meu filho, chega-te a mim que te vou tirar a virgindade. A reacção física não foi a esperada. A mulher ao pé de mim era enorme, lá dentro havia mais uma ou duas e como ela com um  enorme arcaboiço não fugi dali com vergonha, começaram as três a fazerem-me festas, mas foi a primeira que puchando um cortinado me puxou para um divã tipo catre. Não sei o que aconteceu mas a sardanisca se agasalhou, nas bolsas escrotais, tal como os pequenos repteis se somem, assim que o sol se esconde, a mulher bem tentou mas dali é que ela não saíu, e quando ela a picha puchava, era tal e qual um fole, daqueles que se usam nas rotulas de transmissão dos carros. e mal se descuidava, logo ela se recolhia retraíndo-se como se fosse um elástico. Nunca soube explicar muito bem o fenómeno, mas era como se, estivesse a querer ter relações com minha própria mãe. E dessa força que move o mundo se transfomasse num vácuo enorme. Pela vida fora aquela pilinha se foi transfomando lentamente num guilho  devorador de vaginas. Houve uma a quem deixei passar em branco: era um amor platónico, daqueles amores que, só de te ver já sou feliz! Não o faças! pois meu amigo, pela vida fora sempre que fores a um urinol se tens o azar de olhar para ela, vais vê-la com aquele olhar rubicundo e tristonho, dizer-te? Vai bardamerda podias ma ter dado e deixaste-a ir, conas, tiveste a oportunidade e não ma deste, foste mau para mim. Diz-me tiveste outra oportunidade? Tiveste! Tens que aproveitar o momento que passa ou não terás outro. Nesta altura da tortura só tens um remédio: é mete-la na sua alcova e fechar a braguilha. Até á prxima mijada, onde te vai fazer a mesma acusação e isto vai durar toda a tua vida, um martírio! Sigrund porque não te comi, naquele momento sublime que me foi dado pelo destino?


Sessenta e tal anos depois ainda o  comboio cimenteiro aqui vem buscar cimento. Para ti Alvaro


 
 
 

Foi por esta altura que, por artes mágicas o Alvaro, veio a saber: ou pelos jornais ou alguém bem instalado que, o estado português estava promovendo um repovoamento da colónia de Angola. Para tanto fornecia o transporte para lá gratuitamente, e em contrapartida, exigia, exigia e voltava a exigir, ele eram papeis e mais papeis: certidões, a certificar o nascimento, a filiação, a residencia etc etc. Requerimentos, a requerer a sua Ex.ª isto e mais aquilo e aqueloutro etc,etc. por fim culminava estas exigências numa exigência suprema! Uma carta de chamada! Este documento, era quáse uma odisseia consegui-lo, pois pressupunha ter lá alguem que declarasse,possuir meios para alimentar o colono durante um ano, para tanto tinha que fazer uma caução de cem mil escudos. Sabes por acaso o que eram cem mil escudos em mil novecentos e cincoenta e dois! não! Uma fortuna. O Alvaro que para angariar mais uns cobres creava um porco por ano. sabia a dificuldade de angariar tal soma. Pois andava sempre a medir o porco aos palmos, ele sabia que, cada palmo de porco era equivalente a uma arroba, ora o porco só era vendavel aos cinco palmos e a uma nota por cada palmo, o que dava quinhetos escudos. Por isso cem mil era um número que o ultrapassava. Mas o certo é que ele conseguiu arranjar tal fiança. para meu mal. Pois fui lá parar. Todavia era ao estado que competia fornecer alguns meios materiais ao colono não te parece


 


Vou num novo post expôr esta viagem á terra para mim do nada

publicado por A Conspiração às 22:45
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