Terça-feira, 15 de Agosto de 2006

A titulo pòstrumo 2

Bebia descontraidamente uma laurentina na Biker onde parava frequentemente. Folheando o Diário de Luanda, dou com os olhos nesta notícia: A todos os portugueses que tenham servido o Estado na Província de Angola, e que nela residam há mais tempo; convida o Governo Geral de Angola a inscreverem-se  para uma viagem à metrópole durante oito dias com tudo pago: Fica condicionada à lotação do avião e às permissas acima descritas.Estàvamos em Maio de 1973, e aquilo acentava-me como uma luva. Havia vinte e um anos que havia sido desterrado para esta terra, e desde essa altura nunca mais voltara à minha aldeia natal e a tudo o que a ela me ligava. Como previa recebi uma carta a notificar-me como seleccionado para a mesma, e marcaram um ponto para acentar promenores da mesma, julgo que o local era nos Coqueiros. No dia aprazado lá fui, e com palestra ou sem palestra já ninguém me desviaria do processo. A tal palestra decorreu animada, tão animada estava que se lhe seguiu uma longa dissertação bastante salpicada com lanços de patriotismo serôdio e bacoco. Eu só via a viagem; não foram eles que me lá puseram?


Tinha que ir ver a minha terra! E esta ideia paralisava todas as outras. Era de facto muito tempo, ri a bandeiras despregadas; e ri até me fartar. No dia aprazado estàvamos no Aeroporto de Luanda para rumar-mos ao Puto. Ia fazer uma coisa que fizera muitas vezes em pensamento,ou sonhos; sonho que pressistia sempre que, nas madrugadas ouvia   o ronco de mais um voo lá para Portugal. Interrompia o meu turno de trabalho, na fábrica de cervejas  onde trabalhava e subia para o terraço da mesma,onde de lá, acompanhava a luzinha pirilampo até ela desaparecer, no breu da noite africana. Voltava a descer para a sala de Brassage,  para executar a faina de mais uma noite de trabalho. Mas hoje;  não teria necessidade de subir para o terraço da Fábrica, eu hoje ia dentro do pròprio pirilampo troante. era o sonho que se estava a tornar realidade. Muito disciplinadamente fomos entrando para o interior daquela máquina enorme, eramos conduzidos por aquelas meninas muito bonitas, mas que lindas que elas eram! No interior, a temperatura destoava fortemente com a do exterior, incutindo-nos uma sensação de mistério, um som muito tènue de saxofone  chegàva-nos aos ouvidos, pareceu-me ser a faixa musical do filme:  a Cidade Viscosa. Uma ligeira vibração era perceptível assim como um assobio, a máquina estava a trabalhar. As meninas com aquele ar angelical diziam e explicavam como pôr os cintos. O barulho aumentou, asim como o assobio, a máquina estava a rolar e rolava cada vez mais, cada vez com mais força, uns candeeiros acesos na berma da pista passavam agora, a uma velocidade vertiginosa um, após outro estonteante mesmo, dentro nós com os dedos crispados de encontro às palmas das mãos e os nervos retezados, sentimos de repente, sem que esperàsemos, as tripas e todas as entranhas como num vàcuo avassalador subirem e a respiração se suspendeu por momentos, a meu lado um transmontano de Valpaços gritou a plenos pulmões, Nossa Senhora de Fátima nos proteja e nos leve a bom porto dizia ele. O chão desceu vertiginosamente e agora tudo parecia mais calmo, tão calmo ficou que, a voz angelical das hospedeiras voltou a soar: já podem tirar os cintos. O comandante deseja-vos boa viagem. Não estava acostumado aquelas mordomias. Uns carrinhos começaram a circular nos corredores, e elas diziam chá, café, ou laranjada. Nem uma coisa, nem outra e pedi, um Wiskie com salgadinhos. Devido ao boicote internacional, tivemos que contornar todo o continente pelo lado do mar. Entabulei conversa com o colega de ocasião, soube que se chamava Floriano, ele contou-me como tinha vindo para Angola, e conversa puxa conversa, acabei por lhe contar como tambem depois de ter vencido uma tuberculose, fui para Angola com dezassete anos. Quiz saber tudo e eu como tinha tempo lá lhe contei o essencial.
O Floriano, assim se chamava o novíssimo amigo era lá dos lados de Valpaços. Contava-lhe neste momento que antes de ir para a Africa tuberculizara, e ele dizia? Mas essa doença mata; e eu retorquia ai mata, mata posso mesmo dizer-te que em dez matava nove, eu fui um felizardo porque fui um dos que em dez escapava. E ele cada vez mais intrigado carregava, mas como é que essa doença se apanha. Amigo dizia eu! No meu caso acho que, foi devida ao contágio de um bem nutrido, mas tambem, a devo à fome que passava, fome diária dia após dia, durante meses seguidos até ao estado de desnutrição crónica. Quando se atinge este estado e num mecanismo indirecto e de preservação, activa-se um outro o de acerbo sexual atroz e começa um período de masturbação contínua que nos leva a masturbar-nos quatro a cinco vezes diàriamente. Achas que alguém resistiria? Era só pensar na Irassema, e como que um choque eléctrico, logo um tesão me obrigava, a fazê-lo até ao êxtase final. E ela sempre presente, diria ser real mesmo, era um tormento, doce mas opressivo. Floriano mais intrigado ainda, lograra fazer a pergunta sacramental? Mas porquê essa tal Irassema! Ora, ora óh Floriano, com catorze anos tinha sido a primeira mulher a quem tinha apalpado as mamas, e a sensação corroeu-me durante toda aquela época. Parece que ainda estou a sentir-lhe os mamilos tungidos e rubicundos nas minhas mãos. Daí para a frente uma febre serena mas assídua se foi instalando, os meus mamilos ficaram tumefactos e eu cai numa letargia mortal. Meu pai levou-me ao médico e o diagnostico soou como que uma sentença lúgubre. E o primeiro tratamento que o medico me receitou por intermédio de meu pai foi amarrar-me as mãos atrás das costas mas, com uma corrente bem grossa. O Floriano riu-se a bandeiras despregadas.   
Esta tuberculose durou cerca de um ano, mais dois de convalescença, quando fui dado como curado fui para Angola, na época decorria a guerra da Coreia.Uma claridade surgia no horizonte

e nem demos  pelo dia que estava a chegar, e nós já tão perto do destino. Era já de dia quando o avião começou a descer, Olhando para baixo vi o meu Portugal do qual saíra há vinte e um anos. Via tambem pela primeira uma cidade vista de cima, mas o que mais me chamou a atenção foi? As pessoas rodupiando como formiguinhas atarantadas cada uma para seu lado e atropelando-se com movimentos anárquicos. Que procurará o ser humano, nesse seu fernezim e movimento constante desde que nasce até à sua morte? Acho que procuram a felicidade terrena! Citando Marcus Aurelius direi que, depois de muita cabeçada não a conseguirão encontrar em nenhures; nem no dinheiro, nem nos prazeres, nem nos silogimos, em que consistirá então? Em sermos magnânimos para com os nosso semelhante, em sabermos fazer destrinça, entre o bem e o mal, enfim tudo aquilo que necessitamos, para o efeito, está dentro de nós mesmos. E só temos que escavar o nosso íntimo, para manar e manará mais, quanto mais escavarmos.


Èramos chegados e fomos de imediato encaminhados para autocarros da força aèrea. Mal tivemos tempo de assentar ideias e já estàvamos la em baixo, em S.Apolónia afim de embarcarmos rumo ao Porto num comboio especial que,  preparado para o efeito, seguiria imediatamente a seguir ao foguete. A diferença seria um minuto. No Hall da estação e fora. um grande número de cidadãos tentava entabular conversa cononsco. Dava para ouvir frases soltas como fascistas, ou oportunistas,ou ainda esta (soube-o muito mais tarde ); de todas a mais sensata, tivesse eu seguindo o conselho, abandonando tudo ali mesmo e teria mudado o curso dos acontecimentos, naquilo em que eles me atingiram dois anos depois. A fraze era mais ou menos esta? venham embora , mandem lixar aquilo , aquela terra é dos pretos etc,etc. Como eles tinham programado; o comboio que estava na gare marchou e era o das linhas normais, nem um minuto levou e o nosso, o tal especial, seguiu-lhe os passos. As orientações agora eram dadas por outros personagens bem vestidos e que, até aquele momento, não tinham feito parte do meu campo visual . O comboio seguia a grande velocidade. E em algumas rectas mais extensas, era possível vislumbrar o que o antecedia à distância. Alarmei-me quando cerca de uma hora e tal, os indivíduos corriam pelas carruagens em que vìnhamos e diziam fechem as janelas e evitem ir às janelas nestes pròximos cinco minutos. Olhàvamos uns para os outros,sem atinarmos. Soubemos depois que a passagem por Coimbra tinha há nossa espera uma recepção de pedradas, proporcionada em grande estilo, pela alegre e ruidosa classe dos estudantes universsitários  de Coimbra. E ela se processou,efectivamente ao longo das arribas que acompanham as linhas de combóio.


Eu pessoalmente fiquei a pensar no que estaria mal, vi que estava metido em algo de natureza política . pensei ! logo que possa darei à sola e acabou-se. Eu sabia da data de regresso,e do local onde tinha que comparecer para efeito da viagem de retorno. Mas lá que tinha que ir ver a minha terra era já uma certeza. Chegámos ao Porto, e fomos encaminhados para o porto de Leixões onde nos foram dados alojamentos no paquete Angola que lá estava acostado para o efeito. O control de entradas e saídas ,tinha agora a certeza era feito por agentes da polícia internacional e defesa do estado (pide) deram-nos um cartão para o feito. Nessa noite eu e o colega que me acompanhara desde Luanda fizemos uma incurssão a um bairro ali perto e sem querer caimos numa casa de prostitutas.A proxeneta chamava-nos ò queridinhos venham cá que tennho aqui meninas a escolher.Subimos as escadas que nos transpuseram para o interior do vespeiro. O Floriano a sugestão dela seguiu pelo corredor e desapareceu, a mim diz-me filho segue pelo corredor e vai para o quarto quatro tens lá uma menina para ti e assim foi,e dezapareci tambem pelo corrdor semi escuro, como é timbre neste tipo de negocio.Eramos uns injenuos,uns conas no meu caso entrara no quarto que me fora indicado.A cama ficava colocada do lado direito e a porta quando aberta escodia-a. Logo que tive acesso visual à cena,Estarreci! A mulher já estava nua o que,anulava qualquer preliminar,estava de pernas abertas e esticadas no sentido do tecto, a ratazana dela arreganhada parecia uma lula acabada de pescar, ainda com aquela baba tão caracteristica nos moluscos, só que a bichana dela não era uma lula, por isso aquela baba qual teia de aranha de ranho que ligava uma beiça à outra só podia ser,micróbios bactérias, bacilos gonococos,espiroquetas,condilomas, e toda a casta de microoorganismos portadores de doenças sexualmente transmissiveis,ao tempo ainda não se falava de sida.nem a roupa tirei, e o penis momentos antes que estava com a dureza brinnel de um escopro destemperou de imediato, e metia dó ficou parecida com a rolha de um champanhe. Naquela noite,quando regressamos ao paquete Angola eu me despedi do Floriano dizendo-lhe: Floriano amanha vou fazer uma fuga e vou para a terra ver a familia; lá estarei no dia do embarque,se Deus quizer, fui dormir a ultima noite no paquete Angola e ao largo de Leixões, o Floriano nunca mais o vi penso que ficou no puto. Eu no dia aprazado regressei a Angola.

 

publicado por A Conspiração às 12:39
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