Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

Galeria de Fotos

 Esta, é a praia de Paredes de Vitoria, a sul de São.Pedro de Muel. A rocha que lhe dá destaque, alterada por um pequeno pormenor, que enche a vista. É a praia dos amantes do parapente

Este, é um menu para épocas de fome extrema. Uma receita fortemente energetica e que, eu infelizmente, tão bem conheci na infancia.

publicado por A Conspiração às 21:36
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Domingo, 14 de Junho de 2009

Vou dar inicio a 24 anos de nada II

 

 Quando do grupo alguém disse? Ó Peralta tens aqui o Soares! Queres melhor. Todos aclamaram a ideia, saltei á liça e returqui; tudo bem, mas ó malta  olhem que só sei o acorde de La maior e La menor, responde a malta em uníssono, caga nisso, no meio do barulho ninguem nota e assim foi. No dia aprazado, lá estávamos nós na dita feira. Quando o espectáculo começou, escutámos as actuações e elas se sucederam até que, o Montez ao microfone anunciou o Peralta, teceu-lhe até adgectivos muito favoráveis, O Peralta subiu as escadas comigo atrás e logo nos pregámos frente a centenas de pessoas. Não tivemos tempo de reflectir demos de imediato com os olhos na turma! Estavam lá todos e batiam palmas como desalmados arrastando por simpatia todo o maralhal. Quando a coisa abrandou disse-me em surdina o Peralta: calma Soares começa, não era grande guitarrista dava os primeiros passos,fiz pela primeira vêz aquilo que o Tarira já me ensinara e comecei a arpejar o dito acorde La menor, corda por corda ascendente e descendente e não acreditei! Aquilo era o som que saia dos meus dedos, era a primeira vez que ouvia o som da minha guitarra projectado para o exterior, através de duas grandes colunas de som empolguei-me e o Peralta se apercebeu e se empertigou eu tinha-lhe dado a entrada e ele começou com aquela voz de tenor parecia o Caruso e começou a largar cá para fora o Avé-Maria de Shubert, Credo nem eu acreditava estava tudo a saír bem. Tudo aquilo terminou numa explosão de palmas a turma nem acreditava pois foi a primeira vez que o Peralta mostrou a Luanda inteira que era uma tenor. Exibiu-se depois muita vezes na Rádio Eclésia no tempo do padre Pereira. Nunca mais na minha vida tive amigos como aqueles e quando a vida nos separou foi como se o mundo parasse Não sei se são vivos ou mortos só Deus sabe..

 

 

publicado por A Conspiração às 17:16
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Sábado, 7 de Março de 2009

Vou dar início a 24 anos de nada I

Estávamos no primeiro quartilho de mil novecentos e cincoenta e dois. E aí estavam o Alvaro, e seu oitavo filho, caminhando a pé ainda altas horas da madrugada, rumo á estação dos caminhos de ferro portuguezes, onde seu oitavo filho iria embarcar, já com uma rolhada de certidões, requerimentos e quejandos. Ia-os entregar no Ministério do Ultramar. Entidade que, superintendia na recolonizaçao da colónia de Angola. Iria dar início ao processo que o levaria áquela que ao tempo ainda só acolhia práticamente bandoleiros, foragidos, ainda funcionava camufladamente como colónia penal. A distancia, ainda supria á volta de cinco quilómetros. A meio do precurso,lá estavam estes dois tristes, acachados junto ao tronco de um pinheiro resguardando-se da forte chuvada que caía. Era uma cena patetica! Chegados á estação o Alvaro dava-me conselhos, pois no futuro, sempre que, fosse necessário  fazer esta viagem, iria fazê-la sósinho. Ouvia tudo com atenção. Em Lisboa esperar-me-ia um cunhado, saido recentemente da marinha de guerra portugueza, onde em Timor servira a bordo do navio patrulha João Belo, e actualmente preste a embarcar para o Brasil com uma irmã minha com quem casara.e onde, pensavam constituir família. Era ele que ia  comigo dar as voltas necessárias, para eu ficar a saber todos os meandros que teria de percorrer no futuro próximo. A Enchell a vapor dava entrada na estação. Eram os modelos, de locomotivas utilizadas nos percursos longos e eram aquelas, com as quais mantinha uma paixão que, me transpunha para a minha infancia. Num assomo á janela, tive tempo de dizer adeus ao Álvaro e já com um rouco som, tão seu caracteristico e um violento sopro seguido de mais dois ou três, o combóio correio, pôs-se em movimento. Foi ela que me transportou pelos caminhos por mim desconhecidos até então. E que, me alargaria os meus horizontes, até ali, tancanhos e circunscritos ao perfil da serra de aire. A paisagem me era familiar até S Martinho do Porto. Pela primeira vez a fazia sem a ventoinha de madeira rodopiando com a força do vento. Era a idade adulta chegando, apagando de vez todas as fantazias edílicas da infancia. Depois de S. Martinho um mundo novo se me abriu, a paragem do combóio em cada estação me abria os olhos de curiosidade. Ele eram as cavacas das Caldas mais além os pastéis de feijão e o movimento desusado das estações á chegada do comboio era febril, ardinas,vendedores de recordações da zona etc. O combóio era o polo de desenvolvimento, como o o fora no século dezassete na grande revolução industrial, e tal como outrora era por excelência o transporte de mercadorias, de pessoas, e de correio. Nesta viagem o que mais me fascinou foi a entrada no rúnel do Rossio, e á saída a fenomenal estação que se lhe seguiu. Fiquei embasbacado! Linda de morrer, a profusão de pessoas era tal que, para nos desatrabancarmos do local, nos entrechocavamos umas com as outras. O meu cunhado que por ali andava algures, não levou muito tempo até termos contacto visual um com o outro. Ali mesmo ele me conferiu os papéis que eu levava, e de imediato transpusemos a gare da estação, e nos vimos no exterior da mesma. Era tudo novo para mim! Era um parolo, e devia de chamar a atenção? Meu cunhado me ia explicando por onde passávamos. Neste momento levou-me a comer qualquer coisa, ele sabia bem que, fartura, não era o nosso forte. Subimos a rua, minto aquilo era uma avenida e bem larga, com árvores frondosas em profusão dum lado e do outro chegámos a um local que fazia esquina, aí existia um cafée que tinha o nome da própria cidade, Pomposamente escrito em cima, lia-se: Café Lisboa, uma impressão muito forte me ficou desse momento. Era o cheirinho a café que na rua era perceptível, era um odor que, se sobrepunha àquele que, enrompia da floração que brotava naquela primavera de mil novecentos e cicoenta e dois. O ar recendia á baga mágica. Depois de saciados e já no exterior, fizemos o trajecto inverso, descendo a rua que, há pouco subiramos. Passámos por uma grande praça. Para ela, confluíam várias artérias, e foi por uma dessas artérias que, continuámos na nossa caminhada descendente, via-se ao fundo, um enorme arco igualzinho áqueles por onde os exercitos romenos vencedores passavam e onde nós, pobres anónimos passávamos neste momento tambem. Dei de caras com uma enorme praça muito maior que aquela que passara á momentos. Meu cunhado informara-me que era ali que pulsava o centro nevrálgico de Portugal. Ao centro, uma estátua onde um cavaleiro altaneiro sobressaía, olhava para o rio Tejo que, á sua frente corria, guarneciam a praça mais três lados todos com edificios muito identicos, e todos eles guarnecidos por arcadas. Meu cunhado informou.me que era ali que se encontravam todos os ministérios do governo de Portugal. Entrámos na praça flectindo para a direita e entrámos na ala desse lado, corremos todo o alpendre os ministérios sucediam-se e ao fundo, lá estava inscrito nas vidraças da porta e em forma de arco; Ministério do Ultramar. Entrámos no edifício e informação atrás de informação, lá chegámos ao gabinete que superintendia nestes assuntos do repovoamento das colónias. Logo que fomos atendidos, apresentámos a candidatura, na figura de um requerimento, e a ele apenso, todos os outros documentos  pedidos no corpo do  decreto que criara o maleficio. E pronto; feito isto, logo fomos informados da formalização da candidatura, e que teríamos que aguardar pelo deferimento, ou não da mesma. Por agora mais nada tínhamos a fazer por ali, e. pelo adiantado da hora, meu cunhado levou-me a pernoitar aquela noite, na casa de um tio que morava em Canpo de Ourique ou Campolide, a única coisa que me lembro, é que no morro sobranceiro se via ao fundo a Estaçao de Campolide e por ali fiquei naquela noite . Só fiz merda! Esse familiar de meu cunhado já devia ter um nível de vida rasoável dado o estilo da casa, para mim luxuosa. Cortinas do tipo viscose, ou organdim, no chão; grandes carpetes com estampas muito lindas, os móveis cristaleiras, ultrapassavam as singelas cantareiras que, mobilavam a minha pobre casa. Senti-me mal naquela casa! Pois atemorizava-me partir por descuido qualquer coisa. Ao jantar foi-me servido carne com arroz e batatas fritas. nunca tinha comido batatas fritas na minha vida. Mas o pior foi ver ao lado do prato um garfo e uma faca nunca tinha comida com semelhate instrumental, fiquei-me a olhar de lado como faziam! Agarravam a faca com a mão direita,e o garfo com a mão esquerda tudo ao contrário daquilo a que estava habituado. Resultado á primeira tentativa aquilo que para eles era feito com suplesse para mim foi feito num estado de arrepiamento assim o garfo fez força para um lado a faca fez para o outro o efeito foi desastroso batatas e arroz se espalharam por uma grande área das carpetes e chão não me enterrei no chão mas fiquei embassado e o calor subiu-me á face. O que vale é que a permanencia era breve. Há noite quando me vi sósinho na cama a olhar para o tecto, rejubilei pois ali voltava a ser eu mesmo. Apesar dos azares do dia, esta noite fiz uma descoberta de algo que, me tem intrigado há muito tempo. Alguma vez te ocorreu saber, como chegaram até aos nossos dias, aqueles famosos quadros imprecionistas, realistas, futuristas etc. Não! Então escuta, pois só te vou contar uma vez.. Hoje calhou-me desovar,numa casa de banho que considero luxuosa, No chão exibia mosaicos com manchas, riscos e arabescos, e os móveis de pinho impecavelmente aparados dixavam ver aquelas manchas em curvas de nivel . Era aí que residia o mistério. 

Não sei porque, mas estava com uma ligeira prisão de ventre. Atribuíra-a á mudança de hábitos e á viagem que fizera para aqui chegar. Durante a noite, deu-me vontade de ir á casa de banho, ao chegar á mesma e descontraidamente, deparou-se-me uma casa de banho luxuosa, pelo menos para o conceito que eu tinha do luxo. O chão era de mosaicos com muitos risquinhos, manchinhas e coisas assim, junto ao lavatório um móvel de pinho impecavelmente aparado exibia umas manchas em curvas de nível muito sugestivas. Agora aprecia, o que me aconteceu! Sentei-me na sanita para desovar, faço força e nada, volto a insistir e nada, comecei a ficar preocupado, tomei alento, com os cotovelos firmemente apoiados sobre os joelhos e as palmas das mãos segurando os parietais, insisti pela terceira vez: comecei a exercer mentalmente pressão sobre o ventre, as jugulares tumefactas, a face fortemente ruberada,os olhos, querendo saltar das orbitas fixavam agora os tais arabesco e risquinhos dos mosaicos, com os neuróneos altamente motivados pela forte oxigenação; foi neste momento que, se me depararam imagens fantasmagóricas oriundas das ditas, posso-te assegurar que, á medida que o intestino com dificuldade se ia esvasiando, vi alces emergindo das brumas e das manchas no móvel de pinho, morcegos gigantescos, de boca aberta cheia de baba. Nesta visão, ainda tive tempo de num deles lhe de marcar com uma esferográfica os olhinhos no local em que os via. Na manhã seguinte os pontinhos da esferográfica ainda lá estavam mas dos olhos do morcego nada era visível. Só se revelam naquele momento crucial. Agora vê-me aquelas obras de arte da cultura, cujos nomes são antecedidos de brasonados sempre atarefados entre briefings, chás canastras, pores-do-sol, recepções, jantares de gala etc. Etc. Estás a ver as fenomenais prisões de ventre de que devem ser acometidos periodicamente, aquilo a que se chama estar entupido. Faço ideia das visões de que são cúmplices, e como as sabem tornar imorredoiras fixando-as na tela para a posteridade da arte eterna. Aquela figura do Picasso; uma cabeça de perfil, com um olho ao viés, no momento da fixação da mesma o homem só podia estar de diarreia. 
Acordei bem-disposto! Na casa de banho onde ultimava a higiene pessoal, ainda tive o cuidado de voltar a olhar para o móvel de pinho, mas de facto das figuras fantasmagóricas que na véspera vira estampadas nos mosaicos e no móvel já nada era visível. Com esta última observação, mais se me adensou a ideia que, as mesmas só são visíveis com prisões de ventre, e mais fantasmagóricas serão quanto mais entupido estiveres, experimenta! Mas desde já te aviso que, esses entupimentos só são possíveis nas pessoas de fartos recursos,ricos, fidalgos, nos de sangue azul visto, andarem sempre bem nutridos, dado, os eventos sociais, a que são obrigados. Ia regressar á terrinha donde estava sendo expulso, terra onde me criara, e onde ia deixar dentro em breve, as alegrias da infância. Ia haver um compasso de espera entre a minha chegada á terrinha, e a minha possível partida para o desconhecido. Entretanto, iniciei de imediato a minha actividade, por acaso bem rendosa, pena era serem trabalhos temporários. Meu pai me dera este dinheiro para eu administrar logo que decidira pôr-me do outro lado do mundo. Comprara com ele, todos os artigos para levar principalmente, roupa e acima de tudo, roupa para os trópicos. Nunca me vestira com aquele estilo tipo Rudolfo Valentino, tão vulgar naquela época chamavam-lhes os pipis, camisa de manga curta, com uma dobra feita por nós próprios, colarinho levantado atrás sobre o cabelo e bastante brilhantina escorrendo do mesmo, era este o estilo. Foi assim que eu pisei pela primeira vez terra angolana. Mesmo assim, os naturais logo detectavam um recem chegado do puto, a alcunha que eles nos punham era:  gueta ou morendengo, também com a palidez da pele que exibias, alva como uma donzela como querias tu que te definissem. A carta do ministério não levou muito a chegar, e dizia; textual e expressamente. O embarque estava marcado para doze de Julho de mil novecentos e cinquenta e dois, estávamos em fins de Maio. Dizia a missiva que, me havia de apresentar dois dias antes afim de ser presente a um departamento sobre doenças tropicais. Ficava este departamento á Junqueira. Quando de lá saí, saí imunizado contra as principais doenças tropicais conhecidas há época. Muitos anos depois, das que por lá conheci, nem me atrevo a nomeá-las dado a quantidade mais que surpreendente, fintá-las foi em si uma epopeia. Este tempo se escoou rapidamente, quando dei por mim já estava a caminho de Lisboa para o derradeiro encontro com a capital do meu pais. O Álvaro me acompanhou, e ainda hoje retenho em mim os conselhos que me deu e o derradeiro aceno de mão com os olhos lacrimejados. Nunca mais o vi! Por isso retenho essa imagem patética, cinquenta e sete anos depois. Hoje vejo a inutilidade dessa viagem e de tal permanência. Pensei muita vez que na altura que subia para o barco, e lá em cima, na zona a que chamavam o portaló se tivesse caído partido as pernas ou algo do género, isso me impossibilitaria de embarcar e talvez se tivesse quebrado para sempre essa sequência e a minha vida hoje seria outra e garanto que seria melhor. De toda a família, minha avó Maria Rosa foi a única que me deu um conselho realista e verdadeiro. Óh filho “era assim que me tratava” que vais tu fazer para essa terra então não vez que, estando lá a bandeira portuguesa a merda é a mesma do que aqui em Portugal. Suspeito que ela tenha dito isto despeitada por ir ficar sem o quarto elemento para o habitual jogo de sueca que ela tanto gostava. Muito lhe tinha custado angariar esse quarto elemento, O compadre Loureiro e a comadre Eugénia estavam seguros porque eram seus vizinhos, mas o seu neto dado os temores que tinha para percorrer o percurso de regresso a casa altas horas da noite por medos recalcados e depois aquele moinho de vento não facilitava as coisas pelas lendas que o envolviam de almas penadas que por ali gemiam durante a noite. Hoje sei que as cabaças que guarneciam os varais e o som que emitiam, cujo único fim era avisar o moleiro de que, o moinho rodava e cujo som, gemebundo quando parado impressionava, fazendo lembrar o gemido de uma alma penada. O breu da noite, a falta de luz eléctrica, a própria igreja difusamente alimentava esses medos.

O vapor Cuanza, Era este o nome do navio que me iria fazer transpor o oceano Atlântico. Ali quedo no cais da Rocha Conde Óbidos, Parece-me, que era este o nome da Doca. Parecia-me a figura dos velhos Caíques antecedentes dos grandes arrastões. Despedi-me do Álvaro e de mais familiares que lá estavam sublinho o meu cunhado Pinheiro. Feito isto avancei como se avança para o toiro que se vai agarrar a unha. E entrei por ali dentro, e encostei-me á amurada apreciando agora inversamente a multidão no cais Estava nesta fase de despedidas quando o desgraçado deu um ronco que senti um arrepio pela espinha acima. De imediato comecei a sentir uma vibração que indiciava que o motor estava em movimento. Não me enganei pois apercebi-me que o barco se estava a afastar da amurada. Os gestos de despedida se intensificaram. E foram deixando á medida que o barco se afastava um sentimento de abandono. Estava, a partir de agora entregue a mim mesmo, é curioso mas o sentimento tocava as raias do sublime! Talvez como um dia, quando a morte me assomar á cancela. Aí, estarei novamente, só comigo mesmo. Aquela torre que estava na embocadura do rio que de nítida, lentamente se foi esfumando, ficando agora para trás há muito. A sensação com que fiquei horas depois é que, tinha saído por um funil pela parte mais estreita onde tudo era pequenino, para sair pela mais larga onde tudo se abria numa visão panorâmica, para onde quer que olhasse só via água e céu. Neste momento foram-nos distribuídos os alojamentos, pois a noite se aproximava! Mas que decepção, meu Deus, eram praticamente no porão e as camas: umas simples tarimbas! O bilhete bem dizia terceira suplementar. Durou quinze dias esta vivência. Alguns amigos momentâneos arranjei, vi isso quando aportamos a Las-Palmas três dias depois visitamos uma série de capelinhas. Com muitas meninas, bem bonitas por sinal, quando regressamos ao barco já vínhamos com um forte grão na asa e bem cantantes, eram nortenhos o maior número de nós. Um deles cantava alegremente uma canção de que me ficaram na mente uns pormenores muito ténues. A letra rezava assim: eu quero-te fu, eu quero-te fu, eu quero-te forçosamente, tu és uma pu, tu és uma pu, tu és uma pura donzela, e assim sucessivamente, foi a canção mais cantada durante toda a viagem. O mar dali para a frente se modificou. Muito sereno, parecia chumbo derretido. Peixes voadores saltavam e voavam longas distâncias á frente do navio. E as doninhas, nadavam mesmo junto da proa do navio como se o desafiassem a apanhá-las. Era um quadro bem bonito a costa africana ao longe sempre visível, o comandante do navio ia afixando num gráfico uns pinos que assinalavam os locais que o navio ia vencendo; Madeira, Las-Palmas, Dakar etc. Hoje apôs um pino! Ao lado, a designação: Fortaleza de São João Batista de Ajudá indagando fiquei a saber que, foi um dos principais nós do tráfico de escravos e a primeira feitoria construída fora do território de Portugal para eles de má sina, para nós o início de uma epopeia que se estendeu pelos tempos. Navegando sempre para sul, passámos ao lado da ilha de Fernando Pó. Houve um diálogo, entre marinheiros e pessoas na ilha. Talvez fosse um ponto de honra da navegação às pessoas da ilha, indagar de calamidades e outras tragédias. Já lá iam onze dias. O sol ia aquecendo! Aproximávamo-nos do equador, o ponto onde a Terra se divide em dois hemisférios. O sol, estava agora, no hemisfério norte posicionado no trópico de Câncer. No dia seguinte, aportámos em Ponta Negra. E saímos para o exterior. Foi o primeiro contacto que tive com o solo ocre de África, e com as gentes aí viventes. Foi também onde apanhei a primeira barrigada de bananas nunca tinham comido tal fruto, mas era muito saboroso e devia de ser muito nutritivo em Portugal vi-o muitas vezes nas mãos dos bem nutridos. O navio carregava madeira! Meu Deus era cada toro, quáse um metro de diâmetro. Horas depois zarpámos para sul, passámos por Cabinda  a seguir pela foz do rio Congo, a partir daqui acompanhámos a costa angolana  visível á nossa esquerda  até á cidade S.Paulo da Assunção de Luanda. Onde cheguei no dia vinte e seis de Julho de mil novecentos e cincoenta e dois. Aparecia-me ao longe alojada no sopé dum planalto que, descia por um imenso barrocal de côr ôcre, até ao Porto marítimo lá em baixo. Na vivência que mantive com a cidade durante duas décadas e meia, verifiquei que, a partir daquele ponto, para onde quer que fosses em Luanda era sempre a subir, por isso tirando a parte baixa da cidade toda ela assentava num ligeiro planalto. Ia ter tempo de a conhecer bem! Pois a partir daquele dia passei a calcurreá-la a pé para cima e para baixo. Comecei muito mal pois o emprego que arranjei pagavam só cincoenta escudos por dia e só os dias que trabalhavas, o que dava cerca de:mil escudos por mês, pagava setecentos e cincoenta do comes e dormes era isso o essencial do ser humano. e o resto das necessidades? Um futuro promissor, não hajam dúvidas. Chamarem-me explorador e ladrão vinte e quatro anos depois, foi uma heresia só digna de atrasados mentais. Este emprego, ficava na baixa de Luanda. E comercializava peças auto,  era dum americano o Mac Gowen representante em Angola da Chevrolet, Pontiac, Cadilaac e os camiões Fargo, tractores All Chalmers etc. ficava a mesma ao lado da tabaqueira Sital e em frente ao cine Nacional. Tinha o nome do Pais de origem do dono Casa Americana. Tinha que fazer a pé, mais o meu sétimo irmão, o percurso de cinco quilómetros quatro vezes por dia. Deparou-se-me uma cidade praticamente toda ela em terra batida, até mesmo uma avenida muito bonita que saía do porto marítimo e que contornava toda a baía. O ôcre era o tom que mais chamava a atenção, mesmo por toda a Angola por onde andei milhares de quilómetros era este o tom dominante. O meu sétimo irmão que já por ali andava havia dois anos, rápidamente me integrou dentro da sua roda de amigos. Ele eram os irmãos Penas, o Reis de Sá o Simões, o Albano o Linares este e os irmãos Penas nutriam uma aficion por touros e touradas talvez pela origem em Portugal ser o Ribatejo mas aquele com quem eu me ia dar melhor, e que vou nomear agora era o Walter Tarira. Isto sómente pelo o gosto que ambos nutriamos pelos sons harmoniosos dos acordes de Violão, foi com ele que aprendi os primeiros  acordes e foi com ele que faziamos que tocávamos na tasca do tio Joaquim ao Bungo no bairro dos pescadores mesmo a seguir à passagem de nível. Os sons ecoavam pela noite dentro e qualquer cliente com os copos cantava o fado, e que fervor que eles punham no feito. cumpria mais o meu amigo Walter uma missão social. Mais tarde outros amigos se foram criando, O Araújo, chefe da composição das chapas de impressão do jornal Diário de Luanda, vespertino. Para que me não esqueça não quero deixar de nomear o meu grande amigo Peralta cuja voz não ficava atrás dos grandes tenores conhecidos a partir de agora estava formado um núcleo de amigos bem fixes, e passou a ser hábito os encontros depois do trabalho ora no café O Gelo, ora na Biker ou Portugália, comecei a sentir-me á vontade. Converssava-se de tudo, e era ali que se planeava tudo o que faziamos. Passou esta a ser a minha rotina, que só era quebrada quando ia ´as putas, ao cinema ver uma cwoyada, ou para o Bungo para a tasca do tijaquim para os fados com o Tarira. um dia juntou-se a nós um tal Camarinha recem chegado do Puto aquilo é que era tocar guitarra portuguesa, como nós aprendemos com ele! Diziam até com ar entupido pela admiração que era profissional no Puto. de vez em quando até gajas lá apareciam para cantar. Foi um tempo de boémia que durou até eu ir para a tropa. muitas vezes saíamos dali e íamos para S.Paulo ás galdérias. Tenho aqui a dizer que muitas vezes me calhava cada estafermo, autenticos tortulhos mas olha naquela idade leva-se tudo á frente  tudo tipo rajada. um dia arranjei um preta assim a modos que minha namorada, era só love nem pagava nada! Foi minha companheira sexual até ir para a tropa, dormia lá no musseque com ela muitas vezes. Ela é que me chamava para ir para o trabalho que ficava lá em baixo.

   Com estas amizades e as tertúlias a que davam azo, o tempo se foi passando muito bem. Já caminhava para dois anos de permanência na terra, um dia me aconteceu um percalço que, mudou para sempre o meu estado de espírito. Habituara-me a beber um cafezito á noite depois do jantar. Fazia-o sempre no café do Carvalho que, ficava na rua conde de Ficalho ou de Noronha, a toponímica de Luanda, já se vai diluindo pelo tempo passado mas o que interessa, é que, o mesmo ficava praticamente em frente á Liga Nacional Africana. Naquela noite bebi-o como sempre fazia, mas o resultado altas horas da noite foi devastador. Acordei totalmente suado suor esse que, escorria por todo o corpo. O mau estar era total mas, o sintoma mais pertinente eram as pulsações, o coração batia de cento e oitenta a duzentas por minuto, mas o pior foram  os tempos que se seguiram que sem aviso prévio começava a bater desordenadamente pelo que começou a concentrar as minhas atenções nesse facto com a idade que eu tinha começou a estragar-me qualquer evento ou festa onde estivesse e começou a condicionar a minha vida. A sensação era a de morte eminente. Ia enlouquecendo! Tivesse o ser humano o dom de antever o futuro e tudo seria diferente, pois aqui estou com setenta três anos, sem que o problema que acarreto desde a juventude me tivesse suprimido a vida. Mas é esta a incógnita que os atemoriza. A minha vida com esta malta era um torvelinho diário meu amigo Peralta vivia com uma mulher e gostava dela fortemente, já tinha um menino ou, menina e por isso ao tempo existia em Luanda uma associação de caridade muito ligada á igreja chamada  as Vicentinas, prestavam elas ajuda a famílias carenciadas e o Peralta tenho pena am dize-lo vivia como todos nós no limiar da sobrevivência ele como disse mais, mas muito mais mesmo por ter uma família constituida. Tinha ele pois uma epécie de gratidão para com essa associação. Era costume naquele tempo as Vicentinas fazerem  uma feira de diversão para angariação de fundos, era a mesma realizada junto á igreja de S.Paulo num quintalão grande propriedade da própria igreja. Mais ou menos neste ponto entro eu de serviço. Como disse atrás o Peralta tinha uma dívida de gratidão para com essa associação; como tinha uma vóz de tenor bem timbrada e forte foi convidado para canter nessa feira, caía lá Luanda inteira, para ele, era como se fosse o Scala de Milão, havia um senão, e nada de despresar. E o acompanhamento!  Dizia ele, mas não encontrava resposta para a pergunta que a si mesmo fazia. Mas o Peralta tranquilizou-s

publicado por A Conspiração às 17:56
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Aos coices e "2"

 

D:\As minhas imagens\2008_0822ParatiAlvaro

 

Outro privilégio dele; nos dias de trabalho minha mãe mandava-lhe meio litro de leite quentinho com pão as chamadas sopas de leite. Muitas vezes calhava-me a mim levar-lhas porque a concorrência era feroz, alem disso em criança fascinava-me o labor de todo o sistema de extracção da matéria- prima para  o cimento, apreciava ver o labor de todo o complexo, Quando chegava á boca da pedreira, parava! E começava a descer os cerca de cento e trinta degraus escavados na própria barreira, muito devagar, para dar tempo ao Álvaro de me ver e vir ao meu encontro. Chegado ao fundo sentava-me, e aguardava-o, enquanto isso, me-fascinava com o vai e vem das vagonetas cheias de pedra a serem puchadas para o alto para os cabos aéreos a cerca de cem metros acima, e transportadas “por um complexo mecanismo de difícil discrição mas sem duvida alta tecnologia para a época” para os depósito de retém

 


 

  • Eis os depósitos de retém mencionados, Eu, descia por uns degraus incrustadas na  propria barreira por detrás do arbusto maior lá á frente, em primeiro plano que,  progrediam, lentamente até lá bem ao fundo. Naquela época, não existia a água que agora se vê, pois a mesma era todos os dias bombada para as hortas dos operários.
  •  

e daí para a fábrica a cerca de quinhentos metros mais além. As vagonetas, cheias de pedras descarregadas dos depósitos, deslizavam agora silenciosas rumo á trituração.

Pareciam formiguinhas frenéticas no seu labor diário, e tal como elas, umas iam outras vinham, as que iam, iam cheias de pedras as que vinham, vinham vazias os cabos corriam paralelos a cerca de metro e meio um do outro, as vagonas circulavam conduzidas por eles, á cadência de cinquenta em cinquenta metros. Logo que o Alvaro se chegava a mim, sentava-se numa pedra que, para ele estava reservada e dizia a fraze habitual, por mim já conhecida, então rapaz; e eu lhe demandava pela sua benção, ele me estendia a mão e eu lhe dava um beijo nas costas da mesma. Comia as sopas e com isso, repunha energias para a violencia do trabalho que executava. Por fim, me bridava com duas ou três sopas de leite por mim já esperadas por ser habitual nele este gesto. A segunda guerra acabara naquele lindo mês de Maio, é difícil descrever,o efeito que teve nas pessoas, a alegria jorrou! E, do que me lembro; a felicidade terrena campeava. 

Bandeiras e lençóis brancos apareceram nas janelas. Foram lançados por toda a Europa milhares de pombos brancos. e durante todo o dia fanfarras e foguetório foram ouvidos em profusão. Agouravam-se brilhantes tempos no futuro próximo.E eles apareceram na forma da

reconstrução, e ela iria durar por muitos anos. 
 É certo que iria ainda levar muitos anos até serem visíveis os efeitos dessa reconstrução inevitável. Nessa época iniciara-me no mundo do trabalho. A princípio a medo e tímido. Mas logo afoitamente assim que vi meu primeiro salário, eram quarenta escudos por semana, que logo eram dados a minha mãe que de imediato me dava uma espécie de mesada. O emprego foi numa tipografia o trabalho consistia no seguinte: A máquina impressora cagava impressos a um bom ritmo e eu tinha logo a seguir que ordená-los uma folha azul uma amarela uma branca e assim sucessivamente. O papel passava por uma máquina que as picotava, a seguir eram agrupadas, pregadas, guilhotinadas e por fim colada uma capa de papel tipo pardo e eis os livros de facturas feitos. Andei nesta rotina um tempo vasto. Um dia sem se saber muito bem porquê, a tipografia foi de surpresa visitada pela célebre Policia Internacional e Defesa do Estado; Todos nós que lá trabalhávamos ficamos apreensivos. Impressos subversivos apareciam aqui e ali, logo as suspeitas caiam inteirinhas nas tipografias da zona. E um dia sem que ninguém contasse, apareceram novamente. A tipografia foi selada para ulterior parecer de uma entidade que, nunca deu parecer nenhum e pura e simplesmente a tipografia nunca mais reabriu. Possivelmente nem nunca lá foram impressos panfletos nenhuns. E lá se foi o meu emprego, e de todos os que lá trabalhavam incluindo a Céu, empregada da papelaria. Eu trabalhava na tipografia e papelaria ela só na papelaria, que pena que eu tive pois muitas vezes deixava ver uma, ligeiríssima mas, belíssima nesga das suas rendinhas. Ficou-me deste emprego, o gosto pelo cheiro do papel novo! Kokil oito era o que mais se lá gastava, e vê tu Álvaro! Surgiu-me a ambição de querer ser empregado de escritório! Desculpa-me pai, pela fraqueza por ter desejado tal, mas estava no verdume da idade e a realidade naquelas idades, é ainda indiscernível! Hei! Espera lá meu filho! Mas na escola, qualquer aluno podia requerer o exame de admissão aos liceus! É verdade meu pai, mas no formulário, ou requerimento, ou lá o que era, também pediam o nome do pai e da mãe. Nada de mal a registar, o mal surgia quando pediam a tua profissão, era aí que, tudo ficava decidido. Como não ia antecedido de nenhum brasonado, com o qual se distinguiam as castas, dali não passava, e soubera-o eu mais cedo, nem valia a pena passar pela humilhação. É precisamente por esse facto que, nas sociedades modernas se vêem tantos burros, idiotas, e imbecis mas com canudo. Voltara ao novo ano escolar e nas férias seguintes lá estava incluído numa turma de infantes na execução de tarefas de limpeza do cascão de cimento que se juntava sobre os telhados das instalações fabris “uma tarefa algo perigosa” era a mesma executada a uma altura de cerca de sessenta metros mesmo por cima do forno rotativo, um e dois. Os perigos das alturas eram facilmente anulados pelo aventureirismo das idades em jogo, doze, treze anos
em média. Os  

 trabalhos que executávamos, eram nem mais nem menos que soltar com picadeiras e raspadeiras o dito cascão que, se formava sobre as telhas que, a não ser retirado, levaria inevitavelmente ao colapso total da cobertura. Mas a grande vantagem do uso de crianças neste e noutros trabalhos do mesmo tipo era a sua intrepidez, e o seu baixo teor de massa corporal e ainda a sua agilidade em locais onde a agilidade se mostrou tão necessária. Como desvantagens apenas digo que, estes trabalhos eram normalmente feitos no período das chuvas ,pois o material a decapar se mostrava mais favorável a soltar-se devido á humidade acumulada, o que para nós pressupunha trabalhar sob o efeito da onda de calor oriunda de baixo e que, se evolava até ao telhado pondo-nos a trabalhar sob o efeito de choque térmico com a temperatura ambiental. Apesar dos perigos, e de todas as contrariedades expressas. Ganhávamos muito bem! E mal este trabalho ficou executado, e já que trabalhávamos com picadeiras e raspadeiras outro se lhe seguiu, de idêntico teor.

Os cabos aéreos, sistema maravilhoso e intricado qual, brinquedo não para crianças mas para os adultos. Eram quatro as torres, duas fixas juntas aos depósitos de retém da matéria-prima oriunda lá bem do fundo da exploração. E duas móveis do lado oposto aí a uns quatrocentos metro de distancia atravessando o vazio em baixo formado pela extracção da pedra e que levava já cerca de vinte e três anos. Era um trabalho fabuloso e bem pago qual trapezista izibindo-se frente ao seu publico. Estávamos executando os trabalhos preliminares. Primeiro prendíamos no ponto mais alto da torre um cadernal com várias rodas que desmultiplicava o peso da peça a elevar para um décimo, do seu peso real. A corda que o cadernal movia caía a pique de penderão até ao chão, a equipa se partia em duas. Eu e o Júlio ficávamos em cima, o Eurico, de alcunha Eurico o presbítero, o Zé Lucas e Teixeirinha ficavam em baixo. As primeiras peças a elevarem-se eram dois ferros em forma de esse bastante alongado em que um dos lados era preso em lugar estratégico seguiam-se lhe mais outros dois que, seguiam o posicionamento de forma a formar o esqueleto daquilo que viria a ser depois de pronto a plataforma onde desenvolveríamos o nosso trabalho, seguiam-se-lhe os barrotes e por fim as tábuas. Dali já conseguíamos chegar ao ponto mais alto torre e o frenesim começou. A picagem da ferrugem era ensurdecedora seguia-se-lhe a raspagem logo como acabamento era tudo escovado com escova de aço. Por fim levava uma camada de zircão e no dia seguinte uma segunda camada. Que bonitas que elas ficavam! Este trabalho era muito perigoso pois o sistema estava em pleno funcionamento, e o mais pequeno descuido podia-se ficar decepado pois os cabos em movimento nas roldanas,  não nos
perdoariam tal. Os plateux, iam sendo desmontados e montados mais abaixo, até chegar ao fundo. Que bonitas que elas ficavam, refulgindo de novas. Quando passávamos para as do lado oposto, o trabalho era quase uma brincadeira. Cada grupo de duas torres, formava um grupo independente do outro, e cada grupo tinha o seu depósito onde, a vagona que do fundo, elevava cerca de uma tonelada de pedra, chegada que era ao seu depósito, o cabo que a abria começava a enrolar e ela se inclinava a cerca de quarenta e cinco graus, dando origem a que, com o deslizamento a comporta se abrisse e num ápice a tonelada de pedra que transportava, se precipitasse em queda livre para o fundo do depósito. Nós que no lado oposto nos encontrávamos encarrapitados, qual macaco no seu galho, aguardávamos com bastante emoção, o efeito por nós esperado. Logo que a vagona se via livre de tal quantidade de pedra todo o conjunto se elevava de repente, dando origem na torre de lado oposto a efeito contrário àquele, isto é: a torre descia abruptamente cerca de dois metros, ficando a baloiçar cerca de quinze segundos num vai e vem delirante. E estou a falar de milhares de toneladas de ferro. Este equilíbrio era um milagre da inteligência do ser humano no seu conjunto, este equilíbrio era conseguido porque, o cabo principal com quarenta milímetros de espessura funcionando como carril da vagona, atravessava toda a pedreira a uma altura do fundo de cem metros e passava por uma roldana bem forte, colocada no ponto mais acima da torre e caía a pique, embebendo-se num bloco de betão de algumas duzentas toneladas, ficando em suspensão a cerca de três metros do chão qual pendulo gigante suspendendo todo o conjunto. A torre de perfil apresentava uma inclinação bastante acentuada, o curioso desta situação era que, estas torres ao contrário das suas parceiras do lado oposto, não estavam fixas ao chão mas apoiadas soltas em cima de dois carris côncavos, estes sim fixados por betão ao chão. Eram um prodígio de leveza, e só se tinha noção das forças em presença quando os cabos libertos instantaneamente chispavam ruidosamente entre si.


 

 

Estes trabalhos, eram executados por adolescentes em férias escolares. E logo que prontos, por outros teríamos que esperar. A administração da escola e da empresa era a mesma, o mesmo é dizer que, tudo se sincronizava com essas duas necessidades. Quando não havia empreitadas, tínhamos que nos desenrascar por outras vias. Eu, que era expedito, não me atrapalhava muito pois, quando isso sucedia, tomava as minhas medidas. Por isso daquela vez que o trabalho falhou, logo no dia seguinte, pus-me de plantão na oficina de bicicletas lá da zona. Mesmo na ombreira da porta e sempre que, o António por mim passava, disparava? Senhor António, não quer que eu venha para aqui remendar furos. Tanto o chateei que, um dia disse-me dou-te trinta escudos por semana para remendares os furos aqui na minha oficina, será esse o teu trabalho, aceitei! E no dia seguinte, lá estava alegre com a lixa e cola a tapar os buracos nas câmaras-de-ar das ditas. Mas, para mal dos meus pecados, no dia em que comecei os furos não deram nem para um dia de trabalho. Por isso á noite dei comigo a matutar. E a estratégia que remoia, não demorou muito a fazer-se luz. A técnica, resumia-se pura e simplesmente, a técnica nenhuma, era só pôr em prática o evidente, e com uma imaginação fértil na época foi fácil.Aquela fábrica tinha dois ciclos de horários, ás quatro e ás cinco da tarde, nem queiras saber o número de bicicletas que descarregava para o exterior, eram ás centenas, não, não me enganei quando disse centenas. Era com esse meio de transporte que os operários se deslocavam da e para a fabrica; ora naquele tempo o calçado dos operários eram botas cardadas anti desgaste, as cardas para quem não sabe eram uns pequenos pregos bem curtos mas com uma cabeça algo grande, era essa zona que protegia o calçado do desgaste. E que, para meu proveito, ficavam sempre em pé, tal e qual como aquele boneco que era hábito darem aos miudos , que quando caía ao chão logo se posicionava de pé. Era pois, essa particularidade que mais me fascinava. Só tive que longe da terra ir a uma casa de ferragens e comprar um quilo de cardas. A ideia era; semear sem que alguem desse por ela , e em profusão o maior numero delas por metro quadrado, eles teriam que acertar com a roda em cima delas. Seria inevitável. Conheces por acaso a canção que os agricultores cantam quando semeiam na terra que é deles? Não! Então escuta! Deito a semente á terra_ Á terra que me dá o pão_ Á terra por mim lavrada_ Terra do meu coração. Mas existe esta mesma canção para os que semeiam a terra que não é deles com outra versão. Escuta! Põe-te sol, põe-te sol_ Para lá daquela montanha_ Mas que alegria a nossa_ Que tristeza a do patrão. Sabes, naquele tempo trabalhava-se de sol a sol. Mas eu ao semear as cardas tinha também a minha versão. Deito as cardas á terra_ Que por cima delas terás que passar_ Aos furos por elas causados_ P´ra alegria do meu ganha-pão.

 

 

 




 

O que vou narrar agora inscreve-se na área do privado, e me foi muito doloroso. Ainda hoje, me prespaça uma tristeza pelo simples deambular por essa recordação-memória. O Álvaro, assim como o seu oitavo filho, aqui; refiro-me a mim mesmo! Não mereciam semelhante declinação do destino. Ele toda a sua vida até esta data, tinha sido um escravo da era moderna, eu; como ele, estava aprendendo a saber "de que noite é feita a luz do dia". Agora que, as suas primeira filhas já tinham idade e até já o ajudavam a aliviar as freimas do seu dia a dia. Uma delas, a Isaura, ou seja a sua quinta filha, era governanta de uma família já bem instalada na vida, sim, porque naquele tempo ser tesoureiro duma grande empresa, era um alto posto e muito bem remunerado. Foi pois no seio dessa família que, o drama do Álvaro teve a sua génese e se adensou. Tinha ele o tal tesoureiro, um filho de vinte e seis anos, tuberculoso, e capricho do destino! Sendo a tuberculose, uma doença dos meios miseráveis e da fome, era quase um sacrilégio atingir assim um membro de uma família que vivia na abastança. Todavia foi daí que ela imergiu na numerosa família Soares. Era ele alimentado com os melhores bifinhos, os leites mais gordos e as melhores manteiguinhas, a tudo se negava, era uma característica da tuberculose, que se obstinava em arrastar o corpo para a cova. E o que ele recusava era precisamente o que á Isaura sempre faltara, daí a forte tentação para consumir os produtos recusados, daí até ser contagiada foi um ápice. E um ápice até contagiar cinquenta por cento da família Soares, eu dos mais novos, incluído. Era uma doença da qual a populaça furtivamente se arredava, tal como na idade média os leprosos tinham que usar uma campainha para avisar as pessoas de que eram portadores do horrível mal, também agora toda a sociedade, ficava rapidamente conhecedora dos portadores do bacilo de Kock e instintivamente se afastavam. Conheci muito bem o efeito, pois efectivamente aconteceu-me a mim, fugiam como o demónio foge da cruz. A Esmeraldina; foi a primeira que morreu, morreu seca de carnes, das irmãs a sexta! E uma das mais bonitas, seguiu-se-lhe a Rosa, a galopante tomara conta delas. A Isaura, a doença minara-lhe o pulmão abrindo-lhe tremendas  cavernas; foi-lhe dissecado o pulmão direito, um dos irmãos ficou com grandes sequelas, eu o oitavo filho a doença manifestara-se com uma febrícula que se instalava sorrateiramente aos fins da tarde, e lá está, mesmo não havendo muito que comer, instalava-se um fastio de morrer. Um dia o médico chama meu pai e diz-lhe? Sr. Álvaro, o seu filho está infectado, muito infectado repisou ele; mas temos agora a nossa disposição um novo medicamento que, sendo muito caro, preciso pois que siga o que lhe vou dizer, e deu-lhe uma série de instruções, uma delas soube-o depois era que me amarrasse as mãos atrás das costas, intrigou-me durante muitos anos, como conseguiu ele saber que eu me masturbava frequentemente; não gosto do termo! E vou repeti-lo, á minha maneira! Como conseguiu ele saber que eu batia á punheta, aí está em português vernáculo o termo exacto. O Álvaro me repreendeu fortemente á sua maneira, e ela consistia em? Primeiro chamava-me e dizia o porquê, depois, olhava para mim e fixava-me com a cara ligeiramente de lado em relação a mim e mantinha aquela fixação visual por tempo indeterminado. Quando ele procedia assim havia merdelim por perto, era atroz suportar aquele olhar dele, o pior estava para vir pois passados longos-segundos que pareciam uma eternidade, começava a abanar a cabeça para cima e para baixo lentamente e também longamente. O assunto tanto  podia morrer por ali, ou chovia de imediato umas correadas. Mas o Alvaro era um homem bom! Perdoou-me devido á doença que me minava. A estreptomicina era-me administrada uma vez por dia. O Remifon, o calcio, em doses generosas, Fora-me atribuido não sei por quem, um xis de carne e ovos  por dia. Na clandestinidade e de origem popular tomava uma gota de petróleo branco refinado, intercalado com a mesma dose de cristais de iodo dissolvida em alcool. era preciso muita atenção pois não se poderia ultrapassar as vinte gotas. Vivi enclausurado uma série de meses. è por isso que eu conheci tão bem o perfil da Serra de Aire, para lá dele só trinta anos depois. Através do vidro, via  as garotas a lavar a roupa no ribeiro ali perto. Divisava  a Erassema, ela me fazia gestos, quando isso acontecia vinha-me á ideia as suas mamas sedosas e rijas, e lá ia esgalhar a banana. era um cuadjuvante ao tramento que fazia, só podia ser, dada a sensação energética que despoletava. Durante um ano sofri radiações RX directamente via radioscopia. Não sei !  Mas acho que deixou sequelas para toda a vida. Sobre aquele paríodo negro ainda hoje, me lembro das alucinações que o complexo tratamento me causava, acordava de noite suado e com visões, sonora e visuais, Mas felizmente o meu corpo estava vencendo o cabrão do bacilo de kock. Logo que me vi com autorização, para fazer uma vida normal, tornei-me um devassozinho. Tive a primeira relação sexual se assim se poderá chamar. Um dia, fui á cidade e logo aproveitei para ir às putas. Era o tempo dos desquentamentos, cavalos moles e mulas era assim que se chamavam os principais, males venéreos, deixei de parte o mais terrífico o que metia mais medo, a Sifiles, arrisquei muito. Mas a mulher que me calhou, podia ser a minha avó e esse facto, lhe pôs o factor moral de me proteger, tinha desasseis anos e a sifiles era de facto uma grande tragedia. E começou; assim que me viu a subir a calçada que, a elas me levava, falou languidamente, anda cá meu filho, chega-te a mim que te vou tirar a virgindade. A reacção física não foi a esperada. A mulher ao pé de mim era enorme, lá dentro havia mais uma ou duas e como ela com um  enorme arcaboiço não fugi dali com vergonha, começaram as três a fazerem-me festas, mas foi a primeira que puchando um cortinado me puxou para um divã tipo catre. Não sei o que aconteceu mas a sardanisca se agasalhou, nas bolsas escrotais, tal como os pequenos repteis se somem, assim que o sol se esconde, a mulher bem tentou mas dali é que ela não saíu, e quando ela a picha puchava, era tal e qual um fole, daqueles que se usam nas rotulas de transmissão dos carros. e mal se descuidava, logo ela se recolhia retraíndo-se como se fosse um elástico. Nunca soube explicar muito bem o fenómeno, mas era como se, estivesse a querer ter relações com minha própria mãe. E dessa força que move o mundo se transfomasse num vácuo enorme. Pela vida fora aquela pilinha se foi transfomando lentamente num guilho  devorador de vaginas. Houve uma a quem deixei passar em branco: era um amor platónico, daqueles amores que, só de te ver já sou feliz! Não o faças! pois meu amigo, pela vida fora sempre que fores a um urinol se tens o azar de olhar para ela, vais vê-la com aquele olhar rubicundo e tristonho, dizer-te? Vai bardamerda podias ma ter dado e deixaste-a ir, conas, tiveste a oportunidade e não ma deste, foste mau para mim. Diz-me tiveste outra oportunidade? Tiveste! Tens que aproveitar o momento que passa ou não terás outro. Nesta altura da tortura só tens um remédio: é mete-la na sua alcova e fechar a braguilha. Até á prxima mijada, onde te vai fazer a mesma acusação e isto vai durar toda a tua vida, um martírio! Sigrund porque não te comi, naquele momento sublime que me foi dado pelo destino?


Sessenta e tal anos depois ainda o  comboio cimenteiro aqui vem buscar cimento. Para ti Alvaro


 
 
 

Foi por esta altura que, por artes mágicas o Alvaro, veio a saber: ou pelos jornais ou alguém bem instalado que, o estado português estava promovendo um repovoamento da colónia de Angola. Para tanto fornecia o transporte para lá gratuitamente, e em contrapartida, exigia, exigia e voltava a exigir, ele eram papeis e mais papeis: certidões, a certificar o nascimento, a filiação, a residencia etc etc. Requerimentos, a requerer a sua Ex.ª isto e mais aquilo e aqueloutro etc,etc. por fim culminava estas exigências numa exigência suprema! Uma carta de chamada! Este documento, era quáse uma odisseia consegui-lo, pois pressupunha ter lá alguem que declarasse,possuir meios para alimentar o colono durante um ano, para tanto tinha que fazer uma caução de cem mil escudos. Sabes por acaso o que eram cem mil escudos em mil novecentos e cincoenta e dois! não! Uma fortuna. O Alvaro que para angariar mais uns cobres creava um porco por ano. sabia a dificuldade de angariar tal soma. Pois andava sempre a medir o porco aos palmos, ele sabia que, cada palmo de porco era equivalente a uma arroba, ora o porco só era vendavel aos cinco palmos e a uma nota por cada palmo, o que dava quinhetos escudos. Por isso cem mil era um número que o ultrapassava. Mas o certo é que ele conseguiu arranjar tal fiança. para meu mal. Pois fui lá parar. Todavia era ao estado que competia fornecer alguns meios materiais ao colono não te parece


 


Vou num novo post expôr esta viagem á terra para mim do nada

publicado por A Conspiração às 22:45
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

aos coices e marradas cheguei a esta terra "1"

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Vista de uma perspectiva exterior a ela mesma, a cena parecia, ou dir-se-ia ser mesmo, um ritual de magia negra, ou de bruxaria. Mas não! A cena era bem viva, verdadeira, e real. Era a cena do quotidiano, de uma vulgar família portuguesa da década de quarenta. Passava-se a mesma, em volta de uma mesa. A mesa era rectangular, tinha talvez uns dois metros e meio de comprimento, por um e vinte de largura. Era pois uma mesa de medidas já um pouco invulgares. Parece que, fora feita para a cena que vou narrar, que me marcou e talvez aos outros intervenientes, por se repetir dias e dias sem conto. De volta dela, agrupavam-se treze pessoas; tantas quanto os membros da família Soares. Num dos topos, o meu pai no topo oposto minha mãe, num dos lados as minhas seis irmãs, no lado oposto os cinco irmãos. Parecia a cena tal como na última ceia de Cristo, e como ela composta de treze membros. O silêncio cortava-se à faca! Meu pai sem vacilar e em tom grave dizia? Rapazes! Ele, quando se dirigia a todos os filhos, independentemente de serem rapazes ou raparigas tratava-os a todos por rapazes. Vamos pois agradecer a Deus a davida que é a refeição que temos à nossa frente. Do lado oposto, minha mãe corroborava e nós repetíamos palavra por palavra o que ela dizia. O silêncio era mortal. Bem dito sejas tu! Em seu louvor; e persignava-se, nós imitávamos cada gesto, fazia uma cruzinha na testa com o polegar e dizia: Senhor eu não sou digno, fazia outra cruzinha na boca e continuava que entreis na minha morada, outra cruzinha no peito e continuava, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva. Era assim e o ritual se repetia todos os dias. A fome grassava em Portugal,e por toda a Europa.

 

A crise de meus tempos

 

 





 




Aquela mesa ali estava, com treze pratos, ao centro concentrando as atenções de todos erguia-se uma panela com capacidade para cerca de dez a quinze litros. Estava a dita, bem cheia e pronta para a distribuição que, minha mãe meticulosamente e igualitariamente fazia! O conteúdo, era aquilo a que já estávamos habituados de longa data: farinha de milho, cozida com couves cortada em tiras fininhas, sal e para dar gosto, banha de porco com fartura, a meio obrigavam-nos a tomar uma colher de óleo de fígado de bacalhau puro. Aquele centro, irradiava pois, uma força, simbolizada por treze raios, cada um apontando um membro daquela família, era como se todos os pontos do rectângulo, se afastassem de forma equidistante do centro, e apontassem um destino para cada um deles, o povo chama-lhe o fado, ou fadário. Eras um homem muito valoroso. Ainda novo, deixaste a tua aldeia de Nespereira, e vieste de norte para sul, sempre de mina em mina, procurando o melhor para ti naquela época bronca. Aportaste às minas da Bezerra no Concelho de Porto de Mós, e por lá assentaste acantonamento durante uns tempos. Contavas-nos histórias bem interessantes, daquela altura

  • Este mural que descreve as actividades da zona ao longo dos tempos encontra-se em frente à igreja matriz de Serro Ventoso



Agora, que a distancia do tempo insondável, se interpôs irremediavelmente entre mim e a tua memoria, vejo o quanto fostes valoroso. Viestes para estas paragens descendo de norte para sul e de mina em mina, e às sortes, chegaste às minas da Bezerra, era ali das entranhas da terra que extraias a matéria prima energética que alimentava as industrias emergentes na região. O carvão é um elemento abundante no maciço calcário da Serra de Aire e Candeeiros. O local impõe respeito, pela maneira como a mãe natureza moldou e plasmou a matéria ao longo de milhões de anos. Devia de ser uma zona batida por lobos, linces e outros animais.Mas ao


Zona do Serro Ventoso na estrada de Porto de Mós para Santarem

  • Bezerra!  Onde o Álvaro qual toupeira de lá retirava o carvão




  • Outra vista da zona





  • O fraguedo desta magnitude sempre me impressionou. E para os estudiosos, aqui bem perto na estrada de Fátima para Alvega, durante todo o percurso da descida é notório o deslizamento das placas rochosas entre si.Essa placa a que me refiro ei-la



Alvaro passados que são oitenta e sete anos desde que por aqui andaste em 1919, por força do aguilhão que me espicassava , resolvi ir visitar a tua mina. Afoitamente entrei sòsinho por lá adentro, sentia que o chão que pisava naquele momento o pisaras tu outrora, Milhares de borboletas brancas e pequenas me fizeram a primeira recepção, em miríades antecediam-me. Parecia uma visão do paraiso! Bem mais para o seu interior uma espècie de bochechar era audível, a princípio pareceu-me o murmúrio dos mineiros que no seu interior falavam outras vezes parecia-me o chiar das vagonas que cheias de carvão por ali deslizavam, para o exterior.Vi depois, que eram morcegos grandes que, pendurados nas cavidades o emitiam nas paredes da galeria, milhares de melgas gigantes ali pousavam e grandes aranhões passeavam-se por ali entre elas.Fui-me emocionando à medida que avançava e bem por ali dentro. Murmurei em voz baixa? Óh Alvaro, foste um mineiro incansável. Acto contínuo senti um frio interno cortante e como se o coração se tivesse privado de oxigénio fui andando de vagar,até à saída que se visionava ainda longe a aflição foi aumentando e eu ia murmurando hossanas como se sentisse que me extinguiria antes de chegar à saída, mesmo assim gostei muito de visitar a tua mina. E assim foi três semanas depois cá voltei. Os sintomas claustrofobicos que senti, estava escrito que assim seria desde o tempo anterior!


 

Eis um dos morcegos que me acompanhou até à saída


 

As estalactites em formação

quàse cem anos depois,escassos centímetro e meio


 

A boca da galeria principal tem mais três entradas, para quem está do lado de fora


 

Mais um efeito rochoso no seu interior


Outra reentrancia paraiso dos morcegos


 

Antracite por mim retirado da Tua mina Alvaro

 

Umas pedras muito bonitas que de lá tirei tambem. Talvez Alvaro na próxima reencarnação já se tenham transformado em diamantes.  Pois como se sabe o diamante é o carbono Puro.

mesmo tempo é linda, pela grandiosidade de seus contrafortes, e escarpas, a queda a pique a partir do miradouro da Bezerra é deslumbrante, e do sopé corre plana até à vila de Porto de Mós ao longe.

Eras mineiro perfurador e os explosivos para ti não tinham segredo! A dinamite, as cápsulas, os detonadores, rastilhos etc. eram por ti manobrados com toda a facilidade e mestria. As histórias que nos contavas aos serões de volta daquela mesa, eram bem interessantes.

Um dia puseste-te a magicar que havias de arranjar uma namorada. Se melhor o pensaste melhor lhe deste execução, no sábado seguinte lá foste tu a um arraial que havia lá para os lados de S. Bento, e que no verão em Portugal são frequentes. Dali até lá seriam légua e meia talvez,e o caminho para lá chegar serpenteava sempre pelo cume do massiço calcário, tinha que caminhar muitas vezes contornando os muros que dividiam as courelas entre si e que tinham cerca de um metro de altura por cerca de trinta cm de largura toda a serra era bordada carinhosamente como uma rede que a guarnecia perpetuando as propriedades como que, a dizer aqui é meu, aí é teu. Estas construções devem-se ao facto de as aflorações rochosas serem de tal ordem que a rocha aflora a superficie e dadas as enormes pressões a que está sujeita a fazem elevar é só apanhar e construir a mãe natureza tudo dá e na altura própria tudo leva. Não tivestes medo de andar a pé e de noite sozinho por aquelas serranias e fraguedos? Os amores inibem os medos eu sei! Mas os petardos que transportavas sempre contigo no alforge ainda os inibiam mais. Parece que ainda te estou a ouvir. Contavas que uma coruja branca te acompanhou todo o caminho, As corujas são aves nocturnas, muito ligadas aos bruxedos, e superstições assim como os mochos membro da mesma família, mas, muito mais bonitas, com sua plumagem branca,creme e raiada com laivos de outras cores muito bonitas. Fazem lembrar uma noiva no seu dia; de noite, quando pousadas num galho, à beira dos caminhos, à passagem por ela de qualquer viandante, têm por habito esvoaçar para o galho seguinte com aquele som arrepiante gluglu glugluglu e rente ao chão vão pousar no galho seguinte, e assim sucessivamente, acompanhou-te durante aquela légua e meia, era de causar calafrios! Ou seria, a namorada que procuravas que veio ao teu encontro em forma de coruja? Quando já de madrugada regressavas e pelos jeitos já alegre com os copitos, davas pela presença dos lobos que ao longe te acompanhavam uivando uns para os outros. Não sabiam eles que os seus olhos refulgiam na noite escura denunciando-os com precisão. E tu sempre em respeito não te fossem eles surpreender pela frente, acompanhavas-lhe os movimentos, eis senão quando tomado de temores ocultos sacavas do teu alforge, um daqueles artefactos explosivos de que tu eras bom confeccionador, e com quais andavas sempre munido. A mecha era acendida cuidadosamente, e era calculada para um tempo de retardo previamente estudado, e de repente impulsionada por mão forte, ia cair vinte ou trinta metros à frente, acaçapavas-te; quando aquela merda explodia, era como se a morte em forma de ceifeira varresse toda a zona como que procurando perigos que só na cabeça dos viandantes existiam. O lampejo da deflagração gelava o sangue, do mais timorato e, era acto contínuo seguido de forte estampido, que ficava longo período de tempo como que, suspenso em ecos sucessivos ao longo das escarpas e seus contrafortes, o silvo provocado pelos pregos e bocados de ferro chispando em todas as direcções era aterrador mas afoitava o seu utilizador e punha em respeito os salteadores que também abundavam por aquelas calendas. Corria o ano de mil novecentos e dezanove e já por ali andavas havia cerca de três anos, quando resolveste talvez por melhores condições de trabalho mudares-te lá para baixo para as minas de Alcanadas também no concelho de Porto de Mós mas agora na povoação de Brancas. Tomava conta dos arrumos e outros afazeres do bairro onde todos os mineiros moravam, uma tal Maria Rosa que tinha uma filha de nome Isaura, foi amor à primeira vista! Mas para chegar à Isaura fizeste-te primeiro amigo da Maria Rosa. Então logo no primeiroAgosto que por lá passou era vê-lo: ó tia Rosa havemos de ir todos, às festas da Batalha; eu pago a carroça, mas leve a Isaura! E de vez em quando ia-a lembrando. A Maria Rosa ia-lhe respondendo, vou pensar nisso ó Álvaro, vou pensar nisso! Corria por aquelas bandas, naquele tempo e com grande alarido, um caso que, os mais cépticos diziam ser um fenómeno da natureza, outros ao contrário daqueles que, era de cariz divino. O caso passava-se lá para cima para o planalto da Cova da Iria, e corria de boca em boca, tão depressa corria que passara já para lá das fronteiras mais rápido que o vento. Uma senhora etérea e divina aparecera a três crianças, envolta em manto diáfano e suspensa no ar. Era este o falatório! Portugal era o centro das atenções. Viera gente de todos os lados, de fora e de dentro, vieram crentes e descrentes, vieram fanáticos fundamentalistas e hereges, mas tinham todos em comum, a curiosidade com que demandavam o local. Era como que, não poderem furtar-se ao chamamento daquela força mítica que os puxava serra acima, como um magnete. Os mais pobres como sempre, eram os que acorriam em maior número. Os coitados vivem há milhões de anos, suspensos do milagre da quitação. E interrogavam-se? Será que Cristo voltou á terra, envolvido com o manto de sua mãe pensavam eles? Não foi Ele que, deixou antes de o matarem, a sentença de que, voltaria ao reino dos vivos. És o filho de Deus! Mas olha eu se fosse teu pai! Nunca mais te deixaria vir ao reino dos mortais, viste o que te fizeram quando cá andaste há dois mil anos! Só que agora eles estão mais maus que então! Não respeitam nada nem ninguém. Será que, na última ceia e para espalhar a boa nova por toda a humanidade, escolheste os doze apóstolos porque será que um deles te traiu? Será que, na multiplicação e distribuição do pão e do vinho da última ceia não tenhas dado menos quantidade de pão e vinho a Judas? E que por isso ele te tenha traído, entregando-te nas mãos dos teus carrascos. Não é por este motivo que, a vil espécie humana guerreia há milhões de anos! Tentando sempre arrebanhar para si todos os bens materiais, pisando assim os mais fracos. Com o conversame, em grande elevação um dia sem se saber como; toda a mina como que uma força impulsionadora, explodiu! Assim como nas entranhas da terra, o mesmo aconteceu na mente daquela gente, homens e mulheres,



e todos há uma resolveram ir ver o local onde tudo acontecia! Onde a tal senhora aparecera. E um dia lá partiram todos por ali acima. Sim! Porque o local para se lá chegar era sempre a subir a partir das Brancas. Era como se começasse ali a primeira peregrinação, o primeiro calvário, a Fátima assim se chamava o povoado. Subindo, subindo sempre serra acima, chegaram entretanto a um ponto onde o ar vivificador os convidou a parar. Pararam e retemperaram forças comendo parte do farnel que levavam. A paisagem dali era soberba, arrebatadora mesmo. O local era conhecido por Reguengo; retemperados, continuaram serra acima, como que atraídos por um íman gigante. A partir, de certa altura, outras pessoas vindas de outros locais se juntavam confluindo todas para o mesmo local, Três horas depois chegaram a um planalto onde centenas de pessoas juntas já aguardavam não se sabia bem o quê. O chão pisado demonstrava bem o movimento de pessoas que por ali reinava desde há dois anos atrás. Que procurariam elas? Claro que aquilo que procuravam, pela maneira como os seus olhos esbugalhados e incrédulos pesquisavam o horizonte e toda a abóbada celeste, só podia ser uma coisa O MILAGRE! Estas cenas, se iriam repetir pelos anos vindouros, e a chama ir-se-ia sempre manter acesa porque, a fé dos pobres e infelizes a isso se dispunham, desde que povoam este planeta, sempre sentiram necessidade de adorar algo divino, humano, espiritual ou material, para se sentirem seguros. Já no tempo de César, lhe gritavam? Escraviza-nos oh César, faz o que quiseres de nós, mas dá-nos o pão e nós te seguiremos até à morte para te glorificar. É pois, o pão e a felicidade terrena que, o ser humano, sempre procurou afanosamente, desde que Cristo veio à terra. Não foi Ele que fez publicamente a multiplicação dos pães!?????Depois daquela peregrinação romaria, ao local da aparição, ouve uma grande aproximação do Álvaro à Isaura. Não durou muito tempo que, entre promessas e mimos eles resolvessem juntar os trapinhos como então se dizia. Na realidade os casamentos assumiam-se assim, e pura e simplesmente era; tu trazes a tua toalha e eu levo a minha. Numa coisa a mulher era intransigente! O casamento teria que ser sempre feito pela igreja. No dia aprazado fazia-se uma grande festança após o cerimonial religioso e já estavam casados dum pobre tinham surgido dois mas que é a vida sem o condimento dos problemas que a acompanham. Eram todavia ricos de virtudes, não como aqueles pobres de espírito que carregados de bens materiais se deixam possuir por eles. Desabafava muitas vezes com amigos, que gostaria de ter só filhos barões, para um dia quando fosse velho ter a sua ajuda! As baronas seriam levadas por quem delas se apaixonasse, e bem depressa o esqueceriam. A Isaura ia engordando na proporção inversa ao tempo que faltava para o término daquilo que dentro dela ia gerando. O Álvaro andava apreensivo! E sem dizer nada a ninguém, a ansiedade ia aos poucos tomando conta do seu tino. Às vezes em pensamentos via-se a esfregar as mãos de contente. E pensava? Deus queira que seja barão o que a Isaura gera no seu seio. Rapidamente, pensava para consigo não fosse aquilo ser um sacrilégio. Que seja pois feita a Sua vontade e que a sua vontade seja aquilo que mais desejo. Deixava a imaginação vogar para alem do etéreo, e regressava a si mesmo feliz. Havia de ser barão! E adormecia. O tempo que fora concedido a Isaura, para gerar no seu seio o filho, se esgotara rapidamente. E como o determina a natureza, há hora exacta, foi solicitada pelo nascituro ordem para vir a este mundo. O processo se iniciou de imediato e por fim, foi expulso como que uma golfada ensanguentada. Havia ainda uns preceitos a cumprir à laia de aviso para futuro. A violência que já existia em grande escala, para este novo habitante, começou ali mesmo.

Pois levou logo uma nalgada, e chorou e ao chorar, meteu para seus pulmões, ida do exterior, a primeira golfada de ar. A sua vida iria circunscrever-se a partir de agora, àquele ténue espaço de tempo que medeia, entre um hausto e o seguinte. É isto a vida, dum ser humano sempre com a lei da morte suspensa sobre si. A parteira terminara o seu trabalho! O Álvaro, que por perto andava, ainda a ouviu dizer para as pessoas presentes, é uma linda menina, ao que estas retorquiram lá isso é oxalá tenha saúde. Ficou na graça de Deus, mas no íntimo pensou! Devia de ser barão, lá isso devia. A Isaura ficou radiosa, era o começo de algo, que faltava para a plenitude do casal, os desígnios da natureza estavam cumpridos. A Maria Rosa assim se chamava a menina recém nascida, ia doravante consignar os esforços de ambos. E assim foi efectivamente! Estava-se no início de mil novecentos e vinte. Levou pois todo o ano a amamentação da criança, e durante este tempo os trabalhos dobraram, mas o que seria a vida sem desafios? Naqueles tempos era hábito para evitar concepções inesperadas regularem-se pelas luas, era o único preceito anticoncepcional mas como facilmente se depreende muito pouco fiável. Esse método no caso do Álvaro falhou redondamente! Ou seria intencional no fervor de querer um filho assim era e não pensava noutra coisa e passados que foram dois anos, a Isaura voltou a engravidar. Ele quando soube do evento, voltou aos tempos passados e pensava! Tem que ser um rapaz. E todos os preceitos já vividos com Maria Rosa voltaram a atormentá-lo todos os dias: Dobraram os trabalhos para ele e para ela. De vez em quando repetia para si mesmo; há-de ser um barão! E andou nesta ideia fixa todo o tempo que durou a gestação. A Maria Rosa, cheia de saúde já brincava, o Álvaro dava consigo e com muita frequência, a fazer contas à vida e antevia-a, complicada e difícil. Um certo domingo foi passear serra acima e, sem contar, ou intuitivamente para lá se dirigira, deu consigo no miradouro onde, tempos antes estivera, e para ali ficou em contemplação tempos infindos. Naquela contemplação reparou que, lá para os lados do Oeste, e calculou entre cinco a seis léguas a distancia do local, uma grande construção se elevava acima da linha do horizonte. O Álvaro pensou e disse para com os seus botões? Tal construção pela envergadura, só pode ser uma fábrica, viam-se resquícios do que parecia ser já o início duma chaminé. E pensou, quase que a falar alto! Se for uma fábrica a quantos braços não irá ela dar trabalho?


  • A fábrica tal como o Álvaro a via no recuado ano de 1921 esse casario que em baixo se visiona, à epoca não existia. Esta fábrica está sediada em maceira,e é vista nesta perspectiva em Reguengo do Fetal, na estrada de Batalha para Fátima.
Depositou a partir daí, grande esperança, naquela visão que tivera da charneca com aquela enorme massa industrial que, ao longe se erguia para poente. Os zunzuns que pela zona corriam quase em murmúrios, passaram a falatório que varria toda a zona, era que estava a nascer uma fábrica de fazer cimento, e aquilo era já uma certeza. Uns alemães tinham vindo para Portugal e investiam a sua grande fortuna no fabrico de cimento. Isto acontecera aquando do fim da guerra, catorze dezoito. Passaram-se muitos meses, e latejava-lhe na cabeça a ideia da fábrica. Via-se a trabalhar nela, via-se sair daquele trabalho que mais parecia uma actividade de toupeira sempre escondido nas entranhas da terra. É por isso que sem atinar muito bem, periodicamente lá voltava acima como que em veneração. Era domingo, e sem dizer nada a ninguém lá estava ele subindo religiosamente a montanha até ao mesmo miradouro onde estivera tempos antes e donde se visionava muito bem a edificação que tanto o atraia. O horizonte enchia por completo os seus olhos. A fabrica que ao longe se erguia devia estar quase pronta o tamanho da chaminé assim o denunciava. Sem dizer nada a ninguém depositava ali a sua esperança, Se era de cimento, deviam precisar de um mineiro perfurador e quem soubesse manejar com perícia os explosivos e ele era-o. Assentou ali mesmo que havia de lá ir brevemente. Achava, no entanto, que já não se podia distrair muito. Desceu para o vale ao tombar do sol. Do seu íntimo, regurgitava uma satisfação e esperança muito forte, desse facto fez minha mãe sabedora. O tempo, galopou qual crina de cavalo ao vento e a Isaura deu à luz outra menina a que deram o nome de Rosa Soares. O Álvaro coitado quando à noite chegou a casa depois de mais um dia de labuta férrea na mina, cansado, antes de adormecer meditabundo pensava? Que sorte a minha meu Deus, por duas vezes desejei ter filho barão, e duas vezes me outorgaste baronas. Que hei-de fazer: dizei-me por favor, se disso eu for merecedor! Não devia merecer tal, pois o silêncio foi tumular. Ficou triste e entregue à sua sorte. Estávamos na transição do ano de mil novecentos e vinte e um para o de mil novecentos e vinte e dois. Jurou que não deixaria passar muito tempo até lá ir visitar a fábrica. Meses depois resolveu por a ideia em marcha, e um dia, quando á noite se deitava e antes de adormecer remoía, remoía e antes de adormecer decidiu? No dia seguinte iria falar com o capataz da mina. Estava certo que atenderia a sua pretensão, teria que fazer disso segredo seu, pois os tempos não estavam para brincadeiras. Apanhou-o bem disposto e de boa catadura.

Acercou-se dele afoito; Sr. Luís disse: preciso de ir à sede do concelho tratar de uns papéis, o homem anuiu com a cabeça, dizendo de seguida; Vai Álvaro mas deixa as galerias abastecidas para não faltar o carvão aos homens. E assim foi, no dia por ele aprazado, e ainda de madrugada meteu-se ao caminho, por força do aguilhão que o espicaçara toda a noite. Estava uma linda noite de Setembro. E o dia que se lhe seguiu não lhe ficou atrás, a terra; intumescia de vida. Como que uma esperança nova, era um bom augúrio! Subiu e desceu colinas, que sorrateiramente o encaminhavam para a charneca. Pairava no ar um doce odor a plantas silvestres e a erva cortada, era o milagre! A terra recendia a essências divinas. Desceu por colinas e vales, cruzou-se com agricultores que, bem cedo labutavam na terra, para recolher o fartume que depois do seu tempo a eles retornara em recolhansa dos frutos. Quando por eles se cruzava o Álvaro dizia: Deus vos salve oh gente e lá seguia. Andou, andou até chegar próximo da edificação que com tanto fulgor o atraía. Parou estarrecido! Nunca nos anos que sua vida já durava vira semelhante construção, havia muitos operários em movimento, e pensou? Como gostaria de fazer parte deles! Dirigiu-se afoito ao primeiro que por perto passou, dirigiu-lhe a palavra perguntando? Amigo como hei-de fazer para trabalhar aqui nesta fábrica. Recebeu como resposta, inscreve-te rapaz, já estão a receber inscrições para todas as profissões, e não te atrases muito pois a fábrica está quase a arrancar. Estava-se nos finais de mil novecentos e vinte e dois. Dirigiu-se ao escritório onde funcionava todo o quartel-general que, superintendia toda a montagem do complexo, e onde funcionava o embrião daquilo que seria a secção de pessoal. Ainda era um bocado afastado do perímetro fabril e quando lá chegou já lá estavam pretendentes ansiosos. Aguardou! E lentamente a sua vez chegou. Começaram por lhe perguntar o nome, o que sabia fazer, etc. Foi respondendo às perguntas, acrescentando sempre mais qualquer coisa que era mineiro e que sabia carregar fogo com destreza e que manusear cápsulas rastilhos e detonadores não tinha para ele segredos. Foram tomando notas e construíram uma espécie de formulário. Perguntaram-lhe ainda se gostaria de fazer parte do pessoal da ECL, seria assim que no futuro se iria designar a nova fábrica.O Alvaro,dali saiu com a cabeça repleta de planos que ia tecendo no emaranhado dos seus neurónios. Sentia-se alegre! E esta alegria resplandecia de seu rosto,e se transmitia aos outros que com ele se cruzavam dirigindo-lhe palavras aluzivas e plenas de esperança. E no caminho de regresso, nem deu pela passagem dos kilómetros. Foi neste estado de alma que, horas depois fez minha mãe sabedora da sua esperanças em melhores dias. Pagou vinho aos colegas da mina, e durante uns dias reinou como se o sonho já se tivesse tornado realidade. Voltou ràpidamente ao trabalho duro da mina. As bocas que já tinha ao seu cargo assim o exigiam. Assim o Alvaro, arreganhou as mangas e, com mais impeto executava as tarefas que na mina lhe estavam apensas.Tinha vinte e tres anos e por isso a juventude inundava-lhe a alma,dando-lhe força para arrancar das entranhas da terra mãe, o carvão que ela pròpria gerava.Um dia à noite, a Isaura segredou-lhe ao ouvido? Oh Álvaro a natureza este mês não veio, será que estou grávida outra vez? O Álvaro disse deixa lá mulher, se for da vontade de Deus pois que seja e para minha alegria. que seja barão. Constatou-se tempos depois, que a natureza seguia o seu curso e que a Isaura gerava dentro de si novo ser. Daí para a frente dava consigo a pensar? Deus queira que seja barão, Deus queira que seja barão. Um dia recebeu de um mensageiro uma nota emanada da Empreza de Cimentos de Leiria, tinha sido admitido como operário da mesma decorria já o ano de mil novecentos e vinte e três. Talvez? Que o primeiro cimento que foi fabricado em Portugal, tenha sido o Álvaro que estoirara as rochas que lhe deram origem, fazendo-as saltar das entranhas da terra.A Isaura mudara-se já de gravidês avançada lá para a charneca, arranjaram uma casita num lugarejo perto conhecido por Venda. O que a Isaura gerara durante nove meses no seu seio nasceu precisamente aí e daí é natural Mas não foi barão! E outra menina nascera, e deram-lhe o nome de Aldina,e depois dessa mais outra a que deram o nome de Virginia,e segui-se o curso da mãe natureza e outra menina nasceu a que deram o nome de Isaura, A esta segui-se uma outra menina a que deram o bonito nome de Esmeraldina. Esta sequência segue-se a um ritmo que mediava entre dois a dois anos e meio,ainda hoje eu que sou o oitavo filho,quando recordo o passado e quando pretendo saber o nome de algum deles se é mais velho do que eu vou acrescentando dois anos até chegar ao que pretendo se é mais novo diminuo dois anos utilisando o mesmo princípio seguido acima. Não falha.O dilema do Alvaro ia-se adensando. A Isaura de vez em quando ia-o advertindo,hó Álvaro fomos bafejados com seis raparigas não achas melhor ficarmos por aqui olha que se vier outra será de certeza bruxa . Não ias querer isso pois não? Naquele tempo, pensava-se que a sétima filha seria bruxa e que, em relação aos homens seria lobizómem. O Álvaro reconhecia-lhe uma certa razão mas não lhe dizia nada. Estava em luta a força da natureza, com o bom senso. Sei que ganhou a força da natureza que tudo arrasta e leva, tão só porque existo.

 






















Contrariando todas as normas do bom senso, a Isaura voltou a engravidar mais uma vez. A gestação tal como as anteriores, decorreu segundo os bons ditâmes da natureza, e assim quando ela o determinou a Isaura dá à luz mais um ser vivo só que desta vez o Álvaro foi enfim: bafejado com um filho barão. Dezoito anos depois de ter formulado esse desejo pela primeira vez. Estava pois aplacado esse desejo profundamente arreigado no seu íntimo. E o Álvaro comemorou o facto; em casa e na rua com os amigos pagava bebidas a toda a gente, e esta alegria durou longos tempos. Era pois nascido o sétimo filho, a que deram o nome de Domingos corria o ano de  mil novecentos e trinta e três.O que eu me indago pai é porque não te quedaste. Eram tempos muito difíceis e com sete filhos há mesa era obra. Porque te não quedaste nessa altura? Não era filho barão que ambicionavas? Mas não! Prosseguistes

e assim, advieram o oitavo, o nono, o décimo,e o décimo primeiro,Foi obra Álvaro.Sem que o soubesses,na aurora do tempo que se avizinhava uma grande tragédia estava prestes a eclodir e a segunda guerra mundial troou por toda a Europa. Aí estavam novamente os quatro cavaleiros do Apocalipse.Olha pai; é desse tempo, a primeira percepção que tenho da minha existência neste mundo, e ela não foi agradável,pois fui atingido pela praga que o terceiro cavaleiro espalhava pelo mundo a Fome. Deves de ter sofrido muito, Alvaro quando à mesa juntavas semelhante prol. Lembro-me, do frio que passava quando de pés descalços ia para a escola. Andàvamos sempre de ranho a pingar pelo nariz, mas não caia; pois logo o inspiràvamos para dentro das narinas, pingava, inspira e assim sucessivamente, era como se tivessemos uma constipação cronica.Se tens passado do setimo para o nono filho evitar-me-ias muitas humilhações e maleitas. O mundo, Alvaro! Roda desconchavado desde que os humanos o habitam. No entanto, tinham tudo ao seu alcanse para o harmonizarem. Uma premissa, era necessária, só uma !Alvaro. Saberem distinguir o bem do mal que dentro deles habita desde que nascem. Mas deixa lá Alvaro o teu oitavo filho no que toca à sua sobrevivência desenrascou-se bem. Na època pura e simplesmente cortou a direito. Sabes Alvaro! Eu acho; mas acho mesmo que, uma criança que passa fome, assiste-lhe o direito de roubar para suprir essa necessidade básica, e eu assim fiz, tentando sempre preservar-te da vergonha, o que eu mais gostava de roubar ao merceeiro era a alfarrova em farinha enchendo os bolsos. Sabes Alvaro,aquilo dava a sensação de barriga cheia,e ainda por cima, alimentava mesmo o homem, via; mas fazia que não via, pois eu enchia-os à descarada, a única coisa que eu tinha em conta é que naquele dia não havia carencias. Essa era a lógica,  e tanto mais o era, enquanto outros esbanjam aquilo que a ela lhe falta. Mas sabes mesmo assim, naqueles tempos tenebrosos, algumas alegrias me estariam reservadas. Quando na escola, e com oito anos fui escolhido para tamboreiro, não!  Não era uma prenda de anos, mas um tambor a sério! Tinha um jeito nato para a coisa e dava a cadência certa de marcha, t"rrum tumtum tum t"rrum, e assim sucessivamente. Quando o tenente pedia, quase solenemente: repicar...Marcha,eu respondia com o tambor deste jeito? T"rrum tumtumtumtumtumtum t"rrum, e assim sucessivamente. Para que isto acontecesse, nos momentos cruciais e que coincidiam com as cerimonias oficiais, onde membros do governo presentes se embebeciam com o sonho,de uma juventude altaneira e moldada segundo esquemas pré defenidos pelo estado. Como ia dizendo acima,para que isso fosse possivel, os garotos escolhidos para tamboreiros e corneteiros, tinham instrução extra escolar, no ginásio onde duas vezes por semana ensaiavam as afinações. A instrução fortemente do tipo militar, onde os conhecimentos adquiridos eram postos à prova na prática, onde uma vez por semana  um tenente de cavalaria oriundo do quatro de artilharia o fazia. Chegava ao largo da escola, numa charrete muito bonita e brilhante, com quatro rodas guarnecidas de borracha e puchada por dois lustrosos cavalos. O cabo, que a conduzia, ali ficava pacientemente enquanto durava a instrução. O Oficial era imponente! Impunha em simultâneo mêdo e uma forte admiração pelo porte que exibia. Naquele momento cerca de cento e cicoenta miudos dos oito aos quatorze anos corriam rápidos para a formatura devidamente fardados com a célebre farda da mocidade portuguesa, formavam em castelos comandados por um comandante de castelo, tal e qual como na tropa a sério. Eram os luzitos de Portugal em acção, Abrir...fileiras; alinhar, à direita, dizia o oficial,para ali ficávamos em sentido para que nos momentos de cerimonial as entidades oficiais pudessem passar revista, ao seu sonho, tornado realidade. Em frente marche, acto contínuo o tambor roncava, as cornetas tocavam e cento e cincoenta rapazes e  raparigas avançavam a marcar passo seguindo as ordens severas do oficial. Em simultânio cantavam. Lá vamos cantando e rindo, Levados levados sim, Pela voz de som tremendo, Das tubas clamor sem fim. Lá vamos que o sonho é lindo, Rasgões,clareiras abrindo, Alva da luz imortal ! Roxas nevoas despedaça Doira o céu de Portugal.Querer! Querer e lá vamos Tronco em flor estende os ramos À Mocidade que passa. Ao tempo era este o hino da mocidade portuguesa cantei-o muitas vezes por fazer parte daquele corpo da mocidade. Parece que, há territórios que foram de Portugal, onde este hino é cantado nas escolas, por apelar ao amor pela terra onde se nasceu. Aquela estrofe "tronco em flor estende o ramo à mocidade que passa" É o máximo!  Ainda hoje me comove pela força inerior em que remexe. Ainda me intrigo; "pois não sei se aquele à mocidade que passa" se se referia à juventude que foge de nós à medida que o tempo passa. Ou à mocidade portuguesa como corpo militarizado, que passava ali frente aos nossos olhos. Em nenhum outro local de Portugal a mocidade se aperfeiçoou tanto. O sonho deles se tornara realidade.O maior gozo era quando o tenente dizia? Esquerda virar! Sim porque o local de instrução, sendo rectangular, quase com a ária de um campo de futebol. A marcha se processava contrária ao movimento dos ponteiros do relógio. O meu gozo, advinha precisamente, de no exacto momento em que virava à esquerda, olhava pelo canto do olho e via, todas aquelas pernas ritmadas à cadência do meu tambor, sentia-me orgulhoso. Cada um batia com o pé direito no chão com o mesmo ímpeto da marcha que cantava, eles se esganiçavam cada um com mais força que o outro, tentando interiorizar para si todo o fervor patriótico que a mesma encerrava, O ambiente era fortemente propício. As veias, e os tendões do pescoço, sobressaíam com o mesmo ímpeto que, lhes incendiava a alma. Esse impeto, tornava-se mais magnânimo quando a exibição era pública. Isso acontecia quando, na época de verão em S.Martinho do Porto, os miudos iam à missa em formatura através da povoação até à igreja lá bem no cimo do morro. Os veraneantes todos batiam palmas à sua passagem, mas que vaidade que sentia, quando ouvia o rufar do tambor ribombar por entre os predios, trum tum tum tum trum. Todos os garotos que frequentavam a escola naquele tempo, tinham vinte dias de férias na praia. Era uma època de fartume.Muito bonita era aquela concha, ali bem perto de Caldas da Rainha. E então com bastante antecedência, era ver os putos confeccionando as suas ventoinhas a partir dum bocado de madeira maciça, só para que, no dia aprazado, pudessem desfrutar do prazer de a ver desandar ao longo do percurso de comboio, com cerca de quarenta kilómetros. Como vez pai; apesar da dificuldade dos tempos, essa é a recordação que deles tenho. E é uma recordação bem bonita! Repara só!  Os tempos eram tão difíceis que, antes de irmos para a colónia balnear infezados e pardaçentos, èramos todos pesados, e não havia casos de há chegada na repesagem, surgir algum miudo que não tivesse engordado cinco seis kg. Luzidios como leitõezinhos acabados de nascer. Era obra hein! Este adicional de peso corporal, chegados que eramos, começava de imediato a ser-lhe subtraído aos poucos, não só pela fome que subssistia, mas tambem pela enorme quantidade de ténias que, dentro de nós e do pouco que comiamos se alimentavam. Eram enormes pai! e, quando pelos terrenos baldios defecávamos, era vê-las; metade dentro do intestino, metade fora contorciam-se, tinhamos que as puxar para fora com os dedos... uma, duas, várias. Quando expostas ao tempo, rápidamente morriam. Tinham cerca de trinta centímetros de comprimento, por sete oito milimetros de espessura. Muitas vezes, o próprio intestino prolapssava, nós próprios, o metiamos tambem com os dedos para dentro da cavidade abdominal. Que saudades que eu tenha do grão que lá comia e o arroz pai ! Arroz doce vê là tu! Como vêz para nos desenrascarmos, valia tudo. No dia de São combóio, mal o apito soando rouco e ainda longe, mas logo que nos fosse audível, de imediato acorriamos por dois motivos; e qual deles o mais importante. Primeiro: os vagões traziam carvão, o carvão depois de esgravatado durante horas, conseguiamos encher um, ou com sorte, os dois bolsos de pequenas particulas de cobre puro que, de seguida, eram transformados no sucateiro local em moedas. Um cruzado dizia ele, iam logo para a compra de alfarroba. O outro motivo e talvez ainda, mais importante que este, era a própria presensa do combóio. O que, nos fascinava; não era a composição em si, mas a locomotiva em si mesma, uma Henshell, das grandes, enorme, pareciamos ao pé dela uns simples micróbios. Era uma adoração quàse divina! O monstro, era das coisas mais bonitas que eu via naquele tempo, enorme, toda preta da cor do azeviche, com seus tubos e cintas que a envolviam, da cor do latão e do cobre, mas tudo a brilhar do polimento e do carinho com que eram tratadas. A máquina para ali andava, para trás, e para a frente, sempre a resfolegar em movimento lento, devagarinho mesmo; como vaidosa de se sentir tão adorada pelas crianças. As manobras na linha, para tràs e para a frente,eram por nós acompanhadas mesmo ao lado dela, nos seus movimentos, quase a tocávamos, como se fora uma deusa, mas; quando o maquinista nos dirigia a palavra, era o extase total. Um dia amandou para nós um boné de maquinista,todo preto fui eu que o agarrei andei com ele até se desfazer de coçado. O que mais nos impressionava, eram as bielas que transmitiam o movimento às rodas,sempre naquele movimento horizontal e sempre a bufar, fu...fufu...fu e o monstro, se movia sereno como uma criança que dormisse, era lindo e ainda hoje, adoro locomotivas a vapor. Aquela tinha no seu conjunto,talvez uns trinta metros. A humanidade lhes deve muito. E a grande revolução industrial do seculo desasseis sem ele, não seria possível. Em Portugal existe um lindo património ferroviario


A minha infancia está amalgamada com esta máquina

 

 


Como vêz Alvaro estas são as recordações que me ficaram daquele tempo, e que eu considero boas,outras não foram assim tão boas como quando, infrigindo as regras estabelecidas eras chamado à direcção. Mas que podia eu fazer? Quando ameixas, cerejas,damascos, alperces etc sorriam para mim para lá da vedação. O meu estômago agradecia! Mas tu Álvaro,ao seres chamado à direcção,de lá vinhas enfurecido comigo; e quando tu lhes dizias que em casa me ias dar uma teoria logo te corrigiam não, não sr  Álvaro deia-lhe umas boas palmadas; não sabiam eles que na tua linguagem uma teoria já pressupunha umas boas correadas. Coitado do Álvaro não merecia!

Um dia, eu oitavo filho e o sétimo resolvemos imitar os lenhadores na sua faina nos pinhais. Agarramos em dois machados eu, como era o mais novo pois tinha dez anos e tal fiquei com o mais pequeno isto é, o de cabo mais pequeno. Pusemos o tronco no chão e começámos. Ele desferiu o primeiro golpe e sacou uma grande lasca de madeira. A tragédia estava a escassos segundos de acontecer. E vou eu, desfiro também a minha machadada, com o mesmo ímpeto, mas não com a mesma força, e zás ele, e zás eu, mas sem ter a percepção eu, estava em grande desvantagem, pois para dar a machadada tinha que me baixar muito, ficando por breves centésimos de segunda, com a cabeça mesmo posicionada na tragectória do machado dele e a tragédia aconteceu. Senti sómente um zim prolongado, tipo zunido que, suspendeu a minha vida por tempo que me pareceu uma eternidade de imediato o sangue quente inundou-me em borbotões. O machado me tinha atingido bem no cimo da cabeça abrindo-a como se fosse uma melancia, cambaleei e fui ao chão, com grande dificuldade levantei-me e comecei a andar, as pessoas que me viam gritavam e em pânico aterrorizadas desapareciam assim como o teu sétimo filho que, desapareceu sem deixar rastos só o encontraram muitas horas depois em cima de uma oliveira, transido de frio e medo. Fui transportado de bicicleta para o hospital, e operado depois de desfalecer; horas depois escapara sem saber à morte! Mas sabes pai! Se não tenho escapado, nunca teria posto os pés do lado de lá e hoje não teria que carregar com o estigma do Império colonial português às costas. Por esta altura, começaram a processar-se em mim violentas alterações hormonais e elas, foram despoletadas por numa noite, ter apalpado as mamas à Candida, aquela sensação sedosa dos seios dela na minha mão, não me iria abandonar tão depressa. Naquele tempo, não havia luz em lado nenhum e breu caía assim que a noite se punha,apenas aqui e ali, se via o tremulinar da luz dos gasómetros e das candeias, e quem queria água tinha que ir ao fontanário publico. Foi numa altura dessas que apalpei as mamas à Candida e ela deixou! A partir daqui a ideia era só aflorar ao cérebro e lá estava eu masturbar-me e isto acontecia uma duas vezes por dia. Desculpa-me pai. Já alguma vez chegaste a chama dum fósforo a gasolina? Era mais ou menos isso que acontecia. Deus quando pôs o ser humano na terra deixou duas sentenças a modos que maldição sobre ele. Conseguirás o teu sustento com o suor do teu rosto! E espalhai-vos por toda a terra e multiplicai-vos! Por outra palavras em moldes mais modernos. É esta pois a pirâmide das necessidades básicas do ser humano. E caso curioso pai, são só duas. Sobrevivência e procriação. E eu sobrevivia e bem, e procriar já dava fortes sinais.▲

Ao Álvaro dado a rudeza do seu trabalho, alguns privilégios lhe estavam atribuídos. Dos que me lembro; ao Domingo, e só ao domingo por ser um dia especial depois de uma semana de seis dias de trabalho duro ao tempo. Minha mãe ia ao talho lá do sítio e trazia-lhe fersura e bofes. E ele ao menos naquele dia se regalava. Vários olhos o miravam gulosos. Ele não resistia à tortura; e de vez em quando, lá vinha uma garfadita para cada um, o naco de bofe desaparecia de imediato. Aquela merda parecia borracha e quando minha mãe o cosia ao lume nunca ia ao fundo, era como a cortiça. A seguir metia a cabaça á boca e consolava-se com um pouco de vinho.

Depois de se consolar, passava-nos a cabaça para nós que, tal como outrora mamara nas mamas de minha mãe, o único leite que bebera até à idade adulta.. Por isso quando metia a cabaça á boca, chuchava como o fizera em menino.Ele fazia um furinho muito pequenino junto ao bocal que permitia agente consolar-se com uma ínfima quantidade de líquido; para falar português o líquido era vinho.

Outro privilégio

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Terça-feira, 15 de Agosto de 2006

A titulo pòstrumo 2

Bebia descontraidamente uma laurentina na Biker onde parava frequentemente. Folheando o Diário de Luanda, dou com os olhos nesta notícia: A todos os portugueses que tenham servido o Estado na Província de Angola, e que nela residam há mais tempo; convida o Governo Geral de Angola a inscreverem-se  para uma viagem à metrópole durante oito dias com tudo pago: Fica condicionada à lotação do avião e às permissas acima descritas.Estàvamos em Maio de 1973, e aquilo acentava-me como uma luva. Havia vinte e um anos que havia sido desterrado para esta terra, e desde essa altura nunca mais voltara à minha aldeia natal e a tudo o que a ela me ligava. Como previa recebi uma carta a notificar-me como seleccionado para a mesma, e marcaram um ponto para acentar promenores da mesma, julgo que o local era nos Coqueiros. No dia aprazado lá fui, e com palestra ou sem palestra já ninguém me desviaria do processo. A tal palestra decorreu animada, tão animada estava que se lhe seguiu uma longa dissertação bastante salpicada com lanços de patriotismo serôdio e bacoco. Eu só via a viagem; não foram eles que me lá puseram?


Tinha que ir ver a minha terra! E esta ideia paralisava todas as outras. Era de facto muito tempo, ri a bandeiras despregadas; e ri até me fartar. No dia aprazado estàvamos no Aeroporto de Luanda para rumar-mos ao Puto. Ia fazer uma coisa que fizera muitas vezes em pensamento,ou sonhos; sonho que pressistia sempre que, nas madrugadas ouvia   o ronco de mais um voo lá para Portugal. Interrompia o meu turno de trabalho, na fábrica de cervejas  onde trabalhava e subia para o terraço da mesma,onde de lá, acompanhava a luzinha pirilampo até ela desaparecer, no breu da noite africana. Voltava a descer para a sala de Brassage,  para executar a faina de mais uma noite de trabalho. Mas hoje;  não teria necessidade de subir para o terraço da Fábrica, eu hoje ia dentro do pròprio pirilampo troante. era o sonho que se estava a tornar realidade. Muito disciplinadamente fomos entrando para o interior daquela máquina enorme, eramos conduzidos por aquelas meninas muito bonitas, mas que lindas que elas eram! No interior, a temperatura destoava fortemente com a do exterior, incutindo-nos uma sensação de mistério, um som muito tènue de saxofone  chegàva-nos aos ouvidos, pareceu-me ser a faixa musical do filme:  a Cidade Viscosa. Uma ligeira vibração era perceptível assim como um assobio, a máquina estava a trabalhar. As meninas com aquele ar angelical diziam e explicavam como pôr os cintos. O barulho aumentou, asim como o assobio, a máquina estava a rolar e rolava cada vez mais, cada vez com mais força, uns candeeiros acesos na berma da pista passavam agora, a uma velocidade vertiginosa um, após outro estonteante mesmo, dentro nós com os dedos crispados de encontro às palmas das mãos e os nervos retezados, sentimos de repente, sem que esperàsemos, as tripas e todas as entranhas como num vàcuo avassalador subirem e a respiração se suspendeu por momentos, a meu lado um transmontano de Valpaços gritou a plenos pulmões, Nossa Senhora de Fátima nos proteja e nos leve a bom porto dizia ele. O chão desceu vertiginosamente e agora tudo parecia mais calmo, tão calmo ficou que, a voz angelical das hospedeiras voltou a soar: já podem tirar os cintos. O comandante deseja-vos boa viagem. Não estava acostumado aquelas mordomias. Uns carrinhos começaram a circular nos corredores, e elas diziam chá, café, ou laranjada. Nem uma coisa, nem outra e pedi, um Wiskie com salgadinhos. Devido ao boicote internacional, tivemos que contornar todo o continente pelo lado do mar. Entabulei conversa com o colega de ocasião, soube que se chamava Floriano, ele contou-me como tinha vindo para Angola, e conversa puxa conversa, acabei por lhe contar como tambem depois de ter vencido uma tuberculose, fui para Angola com dezassete anos. Quiz saber tudo e eu como tinha tempo lá lhe contei o essencial.
O Floriano, assim se chamava o novíssimo amigo era lá dos lados de Valpaços. Contava-lhe neste momento que antes de ir para a Africa tuberculizara, e ele dizia? Mas essa doença mata; e eu retorquia ai mata, mata posso mesmo dizer-te que em dez matava nove, eu fui um felizardo porque fui um dos que em dez escapava. E ele cada vez mais intrigado carregava, mas como é que essa doença se apanha. Amigo dizia eu! No meu caso acho que, foi devida ao contágio de um bem nutrido, mas tambem, a devo à fome que passava, fome diária dia após dia, durante meses seguidos até ao estado de desnutrição crónica. Quando se atinge este estado e num mecanismo indirecto e de preservação, activa-se um outro o de acerbo sexual atroz e começa um período de masturbação contínua que nos leva a masturbar-nos quatro a cinco vezes diàriamente. Achas que alguém resistiria? Era só pensar na Irassema, e como que um choque eléctrico, logo um tesão me obrigava, a fazê-lo até ao êxtase final. E ela sempre presente, diria ser real mesmo, era um tormento, doce mas opressivo. Floriano mais intrigado ainda, lograra fazer a pergunta sacramental? Mas porquê essa tal Irassema! Ora, ora óh Floriano, com catorze anos tinha sido a primeira mulher a quem tinha apalpado as mamas, e a sensação corroeu-me durante toda aquela época. Parece que ainda estou a sentir-lhe os mamilos tungidos e rubicundos nas minhas mãos. Daí para a frente uma febre serena mas assídua se foi instalando, os meus mamilos ficaram tumefactos e eu cai numa letargia mortal. Meu pai levou-me ao médico e o diagnostico soou como que uma sentença lúgubre. E o primeiro tratamento que o medico me receitou por intermédio de meu pai foi amarrar-me as mãos atrás das costas mas, com uma corrente bem grossa. O Floriano riu-se a bandeiras despregadas.   
Esta tuberculose durou cerca de um ano, mais dois de convalescença, quando fui dado como curado fui para Angola, na época decorria a guerra da Coreia.Uma claridade surgia no horizonte

e nem demos  pelo dia que estava a chegar, e nós já tão perto do destino. Era já de dia quando o avião começou a descer, Olhando para baixo vi o meu Portugal do qual saíra há vinte e um anos. Via tambem pela primeira uma cidade vista de cima, mas o que mais me chamou a atenção foi? As pessoas rodupiando como formiguinhas atarantadas cada uma para seu lado e atropelando-se com movimentos anárquicos. Que procurará o ser humano, nesse seu fernezim e movimento constante desde que nasce até à sua morte? Acho que procuram a felicidade terrena! Citando Marcus Aurelius direi que, depois de muita cabeçada não a conseguirão encontrar em nenhures; nem no dinheiro, nem nos prazeres, nem nos silogimos, em que consistirá então? Em sermos magnânimos para com os nosso semelhante, em sabermos fazer destrinça, entre o bem e o mal, enfim tudo aquilo que necessitamos, para o efeito, está dentro de nós mesmos. E só temos que escavar o nosso íntimo, para manar e manará mais, quanto mais escavarmos.


Èramos chegados e fomos de imediato encaminhados para autocarros da força aèrea. Mal tivemos tempo de assentar ideias e já estàvamos la em baixo, em S.Apolónia afim de embarcarmos rumo ao Porto num comboio especial que,  preparado para o efeito, seguiria imediatamente a seguir ao foguete. A diferença seria um minuto. No Hall da estação e fora. um grande número de cidadãos tentava entabular conversa cononsco. Dava para ouvir frases soltas como fascistas, ou oportunistas,ou ainda esta (soube-o muito mais tarde ); de todas a mais sensata, tivesse eu seguindo o conselho, abandonando tudo ali mesmo e teria mudado o curso dos acontecimentos, naquilo em que eles me atingiram dois anos depois. A fraze era mais ou menos esta? venham embora , mandem lixar aquilo , aquela terra é dos pretos etc,etc. Como eles tinham programado; o comboio que estava na gare marchou e era o das linhas normais, nem um minuto levou e o nosso, o tal especial, seguiu-lhe os passos. As orientações agora eram dadas por outros personagens bem vestidos e que, até aquele momento, não tinham feito parte do meu campo visual . O comboio seguia a grande velocidade. E em algumas rectas mais extensas, era possível vislumbrar o que o antecedia à distância. Alarmei-me quando cerca de uma hora e tal, os indivíduos corriam pelas carruagens em que vìnhamos e diziam fechem as janelas e evitem ir às janelas nestes pròximos cinco minutos. Olhàvamos uns para os outros,sem atinarmos. Soubemos depois que a passagem por Coimbra tinha há nossa espera uma recepção de pedradas, proporcionada em grande estilo, pela alegre e ruidosa classe dos estudantes universsitários  de Coimbra. E ela se processou,efectivamente ao longo das arribas que acompanham as linhas de combóio.


Eu pessoalmente fiquei a pensar no que estaria mal, vi que estava metido em algo de natureza política . pensei ! logo que possa darei à sola e acabou-se. Eu sabia da data de regresso,e do local onde tinha que comparecer para efeito da viagem de retorno. Mas lá que tinha que ir ver a minha terra era já uma certeza. Chegámos ao Porto, e fomos encaminhados para o porto de Leixões onde nos foram dados alojamentos no paquete Angola que lá estava acostado para o efeito. O control de entradas e saídas ,tinha agora a certeza era feito por agentes da polícia internacional e defesa do estado (pide) deram-nos um cartão para o feito. Nessa noite eu e o colega que me acompanhara desde Luanda fizemos uma incurssão a um bairro ali perto e sem querer caimos numa casa de prostitutas.A proxeneta chamava-nos ò queridinhos venham cá que tennho aqui meninas a escolher.Subimos as escadas que nos transpuseram para o interior do vespeiro. O Floriano a sugestão dela seguiu pelo corredor e desapareceu, a mim diz-me filho segue pelo corredor e vai para o quarto quatro tens lá uma menina para ti e assim foi,e dezapareci tambem pelo corrdor semi escuro, como é timbre neste tipo de negocio.Eramos uns injenuos,uns conas no meu caso entrara no quarto que me fora indicado.A cama ficava colocada do lado direito e a porta quando aberta escodia-a. Logo que tive acesso visual à cena,Estarreci! A mulher já estava nua o que,anulava qualquer preliminar,estava de pernas abertas e esticadas no sentido do tecto, a ratazana dela arreganhada parecia uma lula acabada de pescar, ainda com aquela baba tão caracteristica nos moluscos, só que a bichana dela não era uma lula, por isso aquela baba qual teia de aranha de ranho que ligava uma beiça à outra só podia ser,micróbios bactérias, bacilos gonococos,espiroquetas,condilomas, e toda a casta de microoorganismos portadores de doenças sexualmente transmissiveis,ao tempo ainda não se falava de sida.nem a roupa tirei, e o penis momentos antes que estava com a dureza brinnel de um escopro destemperou de imediato, e metia dó ficou parecida com a rolha de um champanhe. Naquela noite,quando regressamos ao paquete Angola eu me despedi do Floriano dizendo-lhe: Floriano amanha vou fazer uma fuga e vou para a terra ver a familia; lá estarei no dia do embarque,se Deus quizer, fui dormir a ultima noite no paquete Angola e ao largo de Leixões, o Floriano nunca mais o vi penso que ficou no puto. Eu no dia aprazado regressei a Angola.

 

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Sexta-feira, 28 de Abril de 2006

Petição 3 A Democracia

Venho, nos termos abaixo designados,remeter à Democracia portugueza a seguinte Petição: pessoalmente, nem sequer acredito muito no conceito!  É um sentimento puramente pessoal. Acho ser um embuste como tantos outros de que o gregário ser humano é fertil.  A democracia pura e simplesmente não existe. Mesmo volvendo três mil anos atràs na história, verificamos que o povo que mais perto esteve de a conseguir foram os gregos; mas mesmo esses tiveram sempre a toldá-la a escravatura. Vós mesmos nem acreditais muito, dado terdes necessidade de andar sempre a solfejar o seu nome, como a quererdes convencer-vos. Fazeis-me lembrar o herói romano Cipião o Africano,quando em Roma chegado que era, como triunfador e no desfile que só era concedido aos vituriosos, a passagem pelo arco do triunfo, ele; vestido com a toga branca com a faixa púrpura montado numa galera puchada por quatro cavalos brancos incumbira  um soldado que atràs dele o abanava com  folhas de palmeira lhe fosse lembrando até à exaustão o seguinte: não te esqueças  óh triunfador,que és um simples mortal, óh glorioso lermbra-te que és um simples mortal e assim sucessivamente. Pensava nisto enquanto prostrado, e perdido  no meio de milhares de pessoas, e tal qual estaca espetada no chão para ali estava hirto e quedo. Olhava o horizonte do meu pais, da minha terra mãe. Via-me na mais terrível miséria após vinte e quatro anos de ausência. Aquilo, me parecia um sonho e não a realidade, mas se forem sonhos quando despertares;  vendo que eram sonhos aquilo em que matutavas, voltarás a ver o mundo como o vias outrora. Mas eu não acordara do sonho. Trinta e dois anos depois, a sensação era a mesma, e não acordara mais, porque aquilo, não era um sonho mas a realidade. E ajoujado das mais incríveis calunias: ladrões,assassinos,exploradores,fascistas,colonialistas etc. Incrível não é? Eram aos milhares os regressados e ininterruptamente, eram de imediato jogados para o esgoto da história. Calculou-se em dez por cento de toda a população portuguesa, um milhão de pessoas. Esta meditação fi-la no cimo do edifício do Figo Maduro, em construção. Em baixo vendedores de roupa e calçado apregoavam aceita escudos angolanos, aceita escudos angolanos. Sei porque muitos dos regressados se suicidaram!  E posso testemunhar perante Deus, o quão difícil foi ultrapassar aquele estado de abandono e recusa. Não havia dúvida que tinham hostilizado o bom povo português contra nós. Povo esse, ao qual eu pertencia na sua gènese mais pura. No cimo da nova aerogare inacabada do Figo Maduro onde me encontrava neste momento. O ar gelado que, me açoitava o rosto e que,  há vinte e quatro anos não sentia, pôs-me num estado inexplicàvel de abandono. Eram, os efeitos da nova ordem, que se estavam a instalar e quanto a nós da pior maneira. Chamaram-lhe Democracia !  E estavam a instalá-la de maneira aberrante deixando de fora dez por cento, da nação portuguesa. Já dura há trinta e dois anos essa injustiça. Foi por causa dela mesma que a Democracia em Portugal está morimbunda e definha, definha inéxoràvelmente. Não podia florescer Essa Flor que em tal terreno foi semeada. Foi por trilhos preversos que, a conduzisteis. E perssistis no erro! a democraciaJá visteis que excluiste dez por cento da vossa população. E enquanto esta injustiça durar, durará tambem o estado de pré moribunda em que se encontra a V. Democracia. A menos que estendais a toda a população portuguesa os benefícios da V exemplar descolonização. Não foi assim que a designàsteis? Poderíeis enaltecer-vos dum facto que nem os gregos que foi o povo que mais perto esteve de conseguir a Democracis plena mas!  Mesmo eles, como sabeis tiveram sempre a ensombrá-la, a escravidão. As colonizações, todas foram más,  mas isso é relativo, pois não há nada totalmente mau nem totalmente bom. Há època talvez tenha sido moda e Portugal, tenha querido acompanhar os tempos. Eu, pessoalmente penso que foi uma motivação de carácter vital, para a sua sobrevivência como país livre. Mas supunhamos que foram todas más, medonhas, terríficas. Mesmo assim, a colonização portugueza foi, de todas, a mais humanizada, creou raízes não estavam só pelo saque, os colonos portuguezes,  eram os únicos que tiravam a camisa e trabalhavam em tronco nú junto com os negros compreêndeis a diferença. Por isso tenho estranhado que, a asfixia a que submetesteis dez por cento da V.ª população, não Vos tenha alertado para a mostruosa injustiça a que os submetesteis. Será possível que, em trinta e dois anos não tenhais ouvido um gemido,um suspiro sequer,  dessas victimas, ou sereis surdos?
 
publicado por A Conspiração às 23:15
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Quarta-feira, 22 de Março de 2006

Petição 2 a titulo Pòstumo

Ao Estado Novo. Acho que devo um comentário título póstumo . Como bem sabeis, fui descarregado em : Luanda Angola ido de Portugal viajando em terceira classe suplementar, muito próximo das condições em que era transportado o gado. Estávamos então a 26 de Julho de 1952. Era um garoto praticamente . Esta terra custa-me dizê-lo, à altura era uma espécie de colónia penal de Portugal. Havia presos ainda na Fortaleza de S. Miguel. Não acháveis que, me devíeis ter dado  meios para me suster, fora, da minha terra de origem. Porque o não fizestes ? Ou bem que se fosse por inteiro como colono, ou não. Não foi com essa designação que, me pagastes a viagem pondo-me lá ! Não era esse o fim proposto pelo Decreto que promulgastes ; O povoamento das Colónias. Com esse Decreto, conseguisteis aumentar com mais um português, o senso da Colónia,equilibrasteis as finanças, pois viste-vos livre, de menos uma boca a consumir recursos escassos, aí em Portugal. Mas, com esse procedimento, tramasteis-me a vida sabieis. Levei muitos anos para tentar desfazer o nó que me tecesteis.Mas que podia eu fazer; se tu eras toda omnipotente ! Eras a Ditadura. Mas queres que te diga sinceramente? Passados que são trinta anos após a independência,digo-te Fui mais útil a Angola do que ela para mim. Se não tens falecido no 25 de Abril de 1974 talvez eu fosse condecorado,sei lá ! Sabes que dei àquela Terra todo o tempo que durou a minha juventude 1952/1975,pessoalmente acho que devia de ter sido premiado .Tive que me desviar de toda a casta de doenças, que por lá havia impròprias para europeus : ele era o Paludismo, a Febre Amarela, a Cólera, a Varíola as Matakanhas, Elefantiaze, Lepra,  Filárias *Katolotolo,Tifo ,e centenas de outras que me não recordo. Desculpa-me mas vou revelar um segredo que possivelmente ninguém sabe.Sabes que eu fiquei sempre com a impressão que o **Katolotolo Foste tu que o exportaste para lá. Lembras-te dos celebres atrasados,do dèfice nos pagamentos de Angola ao Puto. Tentaste lá fazer vinho; o principal produto causador desse desiquilíbrio e fizeste-o a partir da matéria prima local na fi gura do Abacaxi. Montaste até uma unidade fabril, e até conseguiste fabricar vinho branco e tinto que distribuiste a titulo gratuito por toda a Luanda em garrafões,lembrais-vos ! Era de facto uma economia digna de nota reconheça-se. Espalhaste por toda a Luanda uma fenomenal caganeira, puzeste Luanda inteira a cagar de esguicho. Mas está à vontade, pois apesar de ter razões de queixa não te denunciei. E quando os pretos no local de trabalho me perguntavam desconfiados? Sr Soares no Puto o vinho Tinto não é feito com uvas pretas? Eu respondia:  precisamente! Então diziam eles;  se o  abacaxi é todo branco como é que dá vinho tinto. Boa pergunta dizia eu, e respondia  que tambem não sabia. Eu mesmo andei a cagar de esguicho uma semana inteira. A bebida tinha o pomposo nome de;  BANGASUMO. Morreu à nascensa, nunca foi comercializada. Tinhas de facto procedimentos dignos do teu nome, Lembras-te das cèlebres cartas de recomendação. Lembrais-vos ainda ! Quando em creança eu me enganava nas cadências rítmicas do tambor que tocava, e punha cerca de cento e cincoenta creanças;  rapazes e raparigas, a marcar passo cada um a seu tempo. Não mo perdoavas, e mandavas o tenente que comandava a formatura castigar-me com o seu pinguelim,que me punha a chorar. Mas eras a Ditadura e as Ditaduras são fèrreas e duras. Mas agora que já faleceste vou-te contar um segrêdo?  Aquilo que  recebi da Democracia que, te sucedeu e que em nada se diferiu do teu procedimento,vou de facto peticioná-la, como podes ler. 
publicado por A Conspiração às 23:39
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Terça-feira, 21 de Março de 2006

Petição 1 E foi assim

Exº.Senhor

Ministro das Colónias

Eu, abaixo assinado Álvaro Soares, de 53 anos de idade, com a profissão de mineiro. Venho mui respeitosamente requerer a Vª.Exª,o seguinte: que se digne ao abrigo da Lei que incrementa o povoamento das Colónias de além mar, da ida de meu filho a expensas do Estado Português, para a colónia de Angola. Tenho onze filhos e seria a maneira de dar um futuro ao rapaz. Juro por minha honra respeitar a Constituição de 1933 da República Portuguesa com inteiro repúdio por qualquer actividade subversiva contra o Estado.

Leiria 2 de Fevereiro de 1952                                                

Pede deferimento

A BEM DA NAÇÃO

publicado por A Conspiração às 21:27
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